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Vale avalia reduzir venda de minério de ferro em 2027 para preservar rentabilidade

Mineradora estuda diminuir em cerca de 5 milhões de toneladas o volume comercializado no próximo ano, mas ainda não tomou uma decisão

Foto de Rodolpho Bohrer
comunicacao@maisminas.org

A Vale estuda reduzir em aproximadamente 5 milhões de toneladas o volume de minério de ferro comercializado em 2027. A medida faz parte de uma avaliação da mineradora para preservar a rentabilidade das operações diante dos custos de produção e das condições do mercado internacional.

A possibilidade foi apresentada pelo presidente da companhia, Gustavo Pimenta, durante a divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2026. Segundo a empresa, a análise considera tanto o minério produzido pela própria Vale quanto o material adquirido de terceiros para comercialização.

A eventual redução não significa, necessariamente, que a mineradora deixará de produzir 5 milhões de toneladas. O volume em estudo envolve as vendas totais, e a companhia ainda não definiu se fará o ajuste.

A preocupação está relacionada à rentabilidade do setor. De acordo com a Vale, aproximadamente 160 milhões de toneladas de minério de ferro comercializadas anualmente pelo mercado marítimo internacional, o equivalente a cerca de 10% desse mercado, estariam sendo vendidas por operações que trabalham com prejuízo.

Nesse cenário, a empresa avalia priorizar operações com melhores resultados financeiros, mesmo que isso represente comercializar um volume menor.

Produção de 2026 e desafios operacionais

Para 2026, a Vale mantém a previsão de produzir entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas de minério de ferro. A expectativa da administração é encerrar o ano mais próxima do limite inferior dessa faixa.

A mineradora também trabalha para conter o aumento dos custos, buscando ganhos de produtividade que compensem a inflação e o encarecimento dos insumos utilizados nas operações.

No terceiro trimestre, as atividades no Norte do país enfrentaram dificuldades relacionadas a equipamentos, chuvas e características do minério extraído. Segundo a companhia, houve recuperação operacional em outubro.

Em Carajás, no Pará, a presença de cavernas próximas às áreas de mineração continua impondo restrições ao planejamento de determinadas operações.

A previsão de investimentos para 2026 também foi ajustada para um valor próximo de US$ 5,4 bilhões, limite inferior da faixa anteriormente estimada, que chegava a US$ 5,7 bilhões.

Vale também prepara expansão da produção de cobre

Enquanto avalia ajustes na comercialização de minério de ferro, a Vale mantém planos de crescimento no segmento de cobre.

A meta é alcançar uma produção anual entre 420 mil e 500 mil toneladas até 2030. Entre os projetos previstos está a ampliação de Salobo, que deverá acrescentar 30 mil toneladas anuais de capacidade a partir de 2028.

Outro empreendimento em análise é o projeto Alemão, cuja decisão de investimento está prevista para 2027, com início de produção projetado para 2030.

A mineradora também considera aquisições pontuais de ativos e programas de recompra de ações, além da distribuição de dividendos aos acionistas. Por enquanto, a administração não prevê uma aquisição de grande porte.

A Vale ainda não informou quais operações poderiam ser atingidas por uma eventual redução nos volumes comercializados em 2027. Também não foram apresentados impactos específicos para as unidades da companhia em Minas Gerais.

Vale planeja nova planta em Mariana enquanto avalia reduzir vendas de minério

Enquanto avalia reduzir o volume de minério de ferro comercializado em 2027, a Vale também prepara a ampliação de suas operações em Minas Gerais. Em Mariana, a mineradora recebeu autorização ambiental para construir uma nova planta industrial na Mina Fazendão, com capacidade para processar 21,8 milhões de toneladas de minério por ano.

Segundo reportagem publicada pelo Mais Minas, o projeto prevê 3.603 contratações durante a fase de implantação, com prioridade para trabalhadores de Mariana e cidades vizinhas.

Embora a expansão siga na direção oposta à possibilidade de reduzir as vendas, as duas medidas tratam de situações diferentes. A redução em estudo envolve o minério comercializado em 2027, enquanto a nova planta busca ampliar a capacidade de beneficiamento da empresa.

A Vale ainda não informou se a possível redução nas vendas poderá afetar o cronograma do empreendimento em Mariana.

Sobre o autor Rodolpho Bohrer

Sócio-proprietário e fundador do Mais Minas e jornalista em formação pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Redator de cidades, tecnologia e política, além de link builder na Agência MaisPost. Em 2026, foi um dos repórteres vencedores do prêmio estadual "Tributação e Justiça Social", promovido pelo Sindicatos dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (SINJORBA).

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