O grupo J. Mendes suspendeu as atividades da JMN Mineração, localizada entre Piracema e Desterro de Entre Rios, na região Central de Minas Gerais, e iniciou o desligamento de funcionários. A paralisação começou em 7 de outubro, um dia após o início das demissões, e ocorre depois de uma tentativa de reestruturação da unidade realizada em janeiro de 2025.

Segundo informações publicadas pelo Diário do Comércio na quarta-feira (14), a empresa atribuiu a decisão à perda de competitividade provocada pelas condições atuais do mercado de minério de ferro e pelas características da operação. A unidade respondia por aproximadamente 10% da produção total de minério de ferro do grupo.
A JMN não informou quantos trabalhadores serão demitidos nesta nova etapa nem estabeleceu prazo para retomar as atividades. Em comunicado, afirmou que a suspensão busca preservar a sustentabilidade financeira e a competitividade dos negócios até que o cenário permita uma reavaliação da operação.
O grupo declarou ainda que os direitos trabalhistas serão assegurados, que iniciou conversas com representantes sindicais e que buscará apoiar a recolocação dos profissionais desligados.
A paralisação ocorre menos de dois anos depois de uma redução significativa no quadro de funcionários. Em janeiro de 2025, conforme noticiado pelo Mais Minas, a JMN anunciou a redução de seu efetivo de 359 para 125 trabalhadores e passou a operar em apenas um turno.
Na ocasião, o Sindicato Metabase Inconfidentes informou que 204 funcionários seriam demitidos e outros 30 transferidos para a Ferro+ Mineração, também pertencente ao grupo J. Mendes, com operação entre Ouro Preto e Congonhas.
O diretor sindical Rafael Ávila criticou, à época, a condução da reestruturação e defendeu alternativas para preservar os empregos, como férias coletivas e suspensão temporária dos contratos de trabalho. A mineradora alegou que o baixo teor do minério e a disponibilidade limitada do insumo dificultavam a continuidade da operação no formato anterior.
A redução do quadro e da jornada operacional não foi suficiente para manter a unidade em funcionamento. Com a nova decisão, as atividades foram suspensas por tempo indeterminado.
Outras mineradoras também reduziram atividades
A paralisação da JMN ocorre em meio a uma série de medidas semelhantes anunciadas por empresas do setor mineral em Minas Gerais. A combinação de custos elevados, aumento do frete marítimo e queda nos preços do minério de ferro tem comprometido a competitividade de determinadas operações.
Em setembro, a Mineração Usiminas anunciou a suspensão das atividades da planta de Samambaia, em Itatiaiuçu, sem previsão de retomada. No mesmo mês, a Itaminas decidiu interromper temporariamente uma unidade em Sarzedo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, com expectativa de voltar a operar em novembro.
Também em setembro, a CSN Mineração comunicou a redução temporária da produção de minério de baixa qualidade em sua planta de beneficiamento a seco, localizada em Ouro Preto.
Já no início de outubro, a Cabo Verde Mineração anunciou a paralisação de sua produção de minério de ferro entre Cabo Verde e Muzambinho, no Sul de Minas, sem previsão de retorno.
As decisões atingem operações de diferentes regiões do estado e refletem as dificuldades enfrentadas por empresas com custos de produção elevados diante das condições do mercado internacional.
No caso da JMN, a suspensão representa a interrupção de uma unidade que já havia passado por uma redução expressiva de trabalhadores. O grupo J. Mendes mantém ainda a Ferro+ Mineração, localizada entre Ouro Preto e Congonhas, mas não anunciou alterações nas atividades dessa operação.
Com informações do Diário do Comércio, em reportagem de Thyago Henrique, publicada em 14 de outubro de 2026, e do arquivo do Mais Minas.







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