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CÂMARA DE MARIANA

Conflito no Irã afeta arrecadação de cidade mineira dependente da mineração

Queda nos repasses da CFEM pressiona as contas de Tapira e pode levar Prefeitura a rever investimentos

Foto de Carlos Daniel
Carlos.daniel_9@hotmail.com

A redução das atividades ligadas à produção de fertilizantes começou a pressionar as contas públicas de Tapira, no Triângulo Mineiro. O município, que tem parte significativa da arrecadação vinculada à mineração, registrou queda nos repasses da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) em meio às dificuldades enfrentadas no mercado internacional de fertilizantes.

Para 2026, Tapira estimou uma receita de R$ 93,5 milhões, sendo R$ 20 milhões previstos somente com a CFEM. O valor representa aproximadamente 21,4% da arrecadação projetada para o ano.

Segundo informações publicadas pelo O Fator, o município recebeu na última semana apenas R$ 167 mil em CFEM. Ao longo de 2026, os repasses mensais registrados anteriormente variavam entre R$ 766 mil e R$ 1 milhão.

Com a redução dos recursos, menos da metade do valor de R$ 20 milhões previsto para o ano havia entrado nos cofres municipais.

Produção de fertilizantes é afetada

A situação está relacionada às operações da Mosaic, empresa responsável pela extração e processamento de fosfato em Tapira, utilizado na produção de fertilizantes.

De acordo com as informações divulgadas pelo O Fator, a companhia reduziu as operações no Brasil desde junho diante das dificuldades relacionadas ao fornecimento de enxofre, matéria-prima utilizada na fabricação de fertilizantes fosfatados.

O cenário internacional foi agravado pelo conflito no Irã, em meio às dificuldades no fornecimento de enxofre e à pressão sobre os preços do insumo. A combinação desses fatores atingiu a produção e acabou repercutindo na arrecadação do município mineiro.

Município também aguarda outros repasses

A pressão sobre as finanças de Tapira não está restrita à CFEM recebida como município produtor. A cidade também recebe recursos destinados a municípios considerados afetados pela atividade minerária.

Segundo o O Fator, esses valores costumam representar uma parcela relevante da receita obtida com a mineração. Desde maio, porém, Tapira também deixou de receber esses recursos.

A Agência Nacional de Mineração (ANM) informou que os atrasos estão relacionados à indisponibilidade temporária de seus sistemas.

Com a redução dos repasses da CFEM e o atraso dos valores destinados aos municípios afetados pela mineração, a administração municipal passou a enfrentar um cenário de maior pressão sobre o orçamento.

Investimentos podem ser revistos

O impacto sobre as receitas já pode alcançar projetos planejados para 2026. Ao O Fator, o secretário municipal de Fazenda e Finanças, Gilberto Martins Ribeiro, afirmou que o município costuma manter uma margem entre arrecadação e despesas para formar recursos destinados a obras de maior porte.

Entre os investimentos citados estão intervenções em estradas, pontes e conjuntos habitacionais.

Com a queda da arrecadação, projetos de asfaltamento deverão ser reavaliados e o contingenciamento de despesas já é considerado pela administração municipal.

Tapira registrou R$ 115,8 milhões em receita corrente líquida em 2025. Atualmente, conforme informado pela administração municipal, o caixa disponível equivale a aproximadamente 15% desse valor.

Mosaic explica redução da produção

Procurada sobre a situação, a Mosaic informou que a redução da produção está relacionada às restrições globais no fornecimento de enxofre, considerado essencial para a fabricação de fertilizantes fosfatados.

A empresa também citou um cenário de instabilidade geopolítica, dificuldades nas rotas marítimas internacionais, aumento da demanda mundial e pressão sobre os custos do enxofre.

Segundo a Mosaic, esses fatores levaram à necessidade de ajustes temporários na produção. A redução dos volumes consumidos e comercializados pela companhia também teve reflexos nos valores de CFEM recolhidos e distribuídos aos municípios beneficiários, entre eles Tapira.

Sobre o autor Carlos Daniel

Natural de Mariana (MG), jornalista formado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e apaixonado por futebol. Atua com reportagem, produção audiovisual e criação de conteúdo.

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