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CÂMARA DE MARIANA

Projeto de R$ 3,5 bilhões da Cedro avança em Mariana e amplia debate sobre impactos da mineração

Foto de Rodolpho Bohrer
comunicacao@maisminas.org

A Cedro Mineração obteve as licenças ambientais para ampliar suas operações em Mariana, em um projeto que prevê investimento de R$ 3,5 bilhões. A expansão permitirá aumentar a capacidade de beneficiamento da unidade para 10 milhões de toneladas de minério bruto por ano e deverá gerar mais de mil empregos diretos e indiretos durante a fase operacional.

As licenças prévia, de instalação e de operação foram aprovadas pelo Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) na útima sexta-feira (25). Atualmente, o complexo produz cerca de 2,5 milhões de toneladas de minério de ferro bruto por ano. Com a ampliação, a produção poderá chegar a 5,5 milhões de toneladas anuais de pellet feed.

“Este projeto combina a ampliação da nossa capacidade, a geração de mais empregos em Mariana e a adoção de tecnologias mais modernas. É um passo importante para a Cedro e para a mineração em Minas Gerais”, afirmou o presidente do Conselho de Administração da Cedro Participações, José Carlos Martins.

Projeto integra plano de expansão da Cedro

A ampliação em Mariana faz parte dos planos da Cedro Participações para alcançar produção de 20 milhões de toneladas por ano a partir de 2032. A estratégia inclui aumentar a participação do pellet feed, produto que a companhia pretende fornecer a mercados como Europa e Oriente Médio.

Considerando suas diferentes operações, a Cedro Mineração produz atualmente aproximadamente 7,5 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. O principal produto é o sinter feed. Cerca de 20% são destinados a usinas brasileiras, enquanto os outros 80% são repassados à Vale, à CSN ou ao Porto Sudeste e posteriormente seguem para o exterior.

O crescimento previsto em Mariana se soma a outros investimentos minerários anunciados para o município. A Samarco, por exemplo, prevê R$ 13,8 bilhões em investimentos para alcançar sua capacidade total de produção em 2028.

Câmara discute efeitos da expansão da mineração

A perspectiva de crescimento das operações levou a Câmara de Mariana a iniciar uma discussão sobre os efeitos que uma maior mobilização de trabalhadores poderá provocar no município. Em reunião realizada na segunda-feira (21), parlamentares mencionaram a possibilidade de até 15 mil trabalhadores diretos e indiretos envolvidos no conjunto das atividades minerárias nos próximos anos.

O número não significa a chegada de 15 mil novos moradores. Parte das vagas poderá ser ocupada por trabalhadores que já vivem no município ou em cidades próximas, e os projetos também possuem cronogramas diferentes. A dimensão desse movimento é justamente uma das informações que os vereadores querem obter das empresas.

O vereador Ronaldo Bento apresentou um requerimento para reunir mineradoras, Prefeitura e Legislativo. A proposta foi aprovada por unanimidade e busca detalhar os projetos de expansão, a quantidade de mão de obra necessária, a parcela de contratações locais e quantos trabalhadores deverão vir de outros municípios.

Entre as preocupações está o mercado imobiliário. Uma entrada significativa de profissionais de outras cidades pode aumentar a procura por casas, apartamentos e alojamentos e pressionar os preços dos aluguéis. Os vereadores também discutiram a possibilidade de imóveis originalmente ocupados por poucas pessoas passarem a receber grupos maiores, aumentando o consumo de água e a geração de esgoto.

Os possíveis efeitos alcançam ainda saúde, educação, transporte e assistência social. A intenção da Câmara é conhecer antecipadamente a dimensão dos investimentos para que a infraestrutura municipal seja preparada antes do aumento da demanda.

O debate envolve, além da Cedro, empresas como Samarco, Vale, Mineração Ducal, Roca Mineração e MG Mineração de Tombos. A reunião com representantes das mineradoras ainda deverá ser agendada pela Presidência da Câmara.

Contratação de moradores também entra na discussão

A geração de empregos prevista pelos novos projetos trouxe outra questão para o Legislativo. Vereadores defendem que a expansão seja acompanhada de qualificação profissional para aumentar a participação dos moradores de Mariana nas vagas abertas pelas mineradoras e prestadoras de serviços.

Durante a reunião, um parlamentar citou o caso de uma empresa com aproximadamente 1.400 trabalhadores, dos quais cerca de mil seriam provenientes de outros municípios. Não foram apresentados documentos que permitissem verificar os números, mas o exemplo foi utilizado para defender uma participação maior da mão de obra local.

A origem dos trabalhadores também interfere nos impactos urbanos dos empreendimentos. Contratar quem já vive no município produz uma demanda por moradia e serviços diferente daquela provocada pela chegada de profissionais que precisarão permanecer temporária ou definitivamente na cidade.

Mariana tem 9,1 bilhões de toneladas de recursos estimados de ferro

A expansão ocorre em uma região onde a atividade minerária possui perspectiva de longo prazo. Dados do Panorama do Potencial de Minerais Críticos e Estratégicos do Brasil, produzido pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), apontam 9.066,2 milhões de toneladas de recursos estimados de minério de ferro no conjunto identificado como Mariana.

O levantamento, divulgado pelo Mais Minas em setembro, indica teor médio de ferro de 41,29%.

Os aproximadamente 9,1 bilhões de toneladas são recursos minerais estimados e não correspondem a uma reserva disponível para extração imediata. Para que parte desse volume seja classificada como reserva, são necessárias avaliações adicionais sobre as condições técnicas e econômicas para seu aproveitamento.

Mariana integra o Quadrilátero Ferrífero, uma das principais províncias minerais brasileiras. Segundo o levantamento do SGB, o minério de ferro respondeu por 56% da receita mineral do país em 2024. Em 2025, o Brasil exportou 432,61 milhões de toneladas do produto, tendo a China como principal destino.

Cedro também planeja porto próprio no Rio de Janeiro

Além da ampliação da produção mineral, a Cedro Participações planeja construir uma estrutura própria para escoar o minério ao exterior. O Porto do Meio, projetado para Itaguaí, no Rio de Janeiro, tem investimento estimado em R$ 3,6 bilhões e previsão de entrada em operação no primeiro trimestre de 2030.

O terminal deverá ter capacidade inicial para movimentar até 15 milhões de toneladas de minério por ano. A estrutura permitirá conectar as operações da empresa em Minas Gerais diretamente ao mercado internacional.

Hoje, a companhia depende de estruturas de outras empresas para parte das exportações. Segundo o diretor da Cedro Participações, Marcus Santarém, o novo porto deverá ser utilizado principalmente para a produção própria, embora também possa movimentar minério de terceiros.

Com a estrutura, a Cedro pretende controlar as diferentes etapas da cadeia, desde a extração em Minas Gerais até o embarque do produto destinado ao exterior.

Sobre o autor Rodolpho Bohrer

Sócio-proprietário e fundador do Mais Minas e jornalista em formação pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Redator de cidades, tecnologia e política, além de link builder na Agência MaisPost. Em 2026, foi um dos repórteres vencedores do prêmio estadual "Tributação e Justiça Social", promovido pelo Sindicatos dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (SINJORBA).

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