A Vale recebeu autorização ambiental para implantar uma nova planta industrial na Mina Fazendão, em Mariana. O projeto prevê a contratação de 3.603 trabalhadores durante a fase de implantação e capacidade para processar 21,8 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.

A decisão favorável foi publicada em 26 de setembro de 2026, no âmbito do processo de licenciamento ambiental nº 34164/2025. O empreendimento foi analisado pela Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) e classificado na categoria 6, destinada a atividades de maior porte ou potencial de impacto ambiental.
Segundo o parecer técnico de 142 páginas, obtido pelo Mais Minas, a nova unidade terá capacidade para produzir até 12,6 milhões de toneladas anuais de pellet feed, um concentrado fino de minério de ferro utilizado na produção de aço.
A estrutura será instalada na área da Mina Fazendão, localizada ao norte de Mariana, na região próxima a Catas Altas. A nova planta permitirá à Vale beneficiar minério com características diferentes das processadas pela usina atualmente existente.
A documentação aponta que a unidade atual possui capacidade para processar 6 milhões de toneladas de minério por ano. A implantação da nova estrutura está relacionada à necessidade de tratar materiais com menor teor de ferro.
Obras podem mobilizar mais de 3,8 mil trabalhadores
Um dos principais impactos econômicos previstos é a mobilização de mão de obra durante a construção da planta.
O estudo ambiental apresenta uma previsão de 3.603 novos funcionários na fase de implantação. Considerando a demanda total de trabalhadores, o efetivo poderá chegar a 3.786 pessoas no pico da primeira etapa das obras e a 3.858 na segunda.
Os números representam estimativas de mobilização durante diferentes momentos do projeto. Isso significa que não correspondem a vagas abertas atualmente nem devem ser somados como contratações adicionais.
A Vale informou ao órgão ambiental que pretende priorizar a contratação de profissionais de Mariana, Ouro Preto, Catas Altas, Santa Bárbara e Barão de Cocais.
Para isso, estão previstos programas de gestão de mão de obra, priorização e capacitação de trabalhadores locais, além de ações de comunicação com as comunidades próximas.
Na fase de funcionamento, a documentação apresenta previsão de 711 trabalhadores por dia na Mina Fazendão, incluindo equipes administrativas e operacionais. A planta deverá funcionar 24 horas por dia, durante os sete dias da semana.
O minério produzido será transportado pelo Terminal Ferroviário de Fazendão e seguirá pela Estrada de Ferro Vitória a Minas até o Porto de Tubarão, no Espírito Santo.
Projeto prevê intervenção em córrego e corte de árvores
Além dos impactos econômicos, o empreendimento envolve intervenções ambientais que foram analisadas pela Feam.
A área diretamente afetada pelo projeto é de 89,42 hectares, equivalente a aproximadamente 125 campos de futebol de dimensões oficiais de 105 por 68 metros.
O processo contempla a intervenção em 6,40 hectares de Área de Preservação Permanente (APP), sem supressão de cobertura vegetal nativa, e o corte ou aproveitamento de 340 árvores nativas isoladas.
Entre os indivíduos identificados nos levantamentos ambientais estão espécies ameaçadas de extinção e protegidas por legislação específica.
Como compensação pela intervenção em APP, a Vale apresentou proposta de recuperação de 4,92 hectares de área degradada na Fazenda Fidalgo e doação de 1,48 hectare localizado dentro do Parque Nacional da Serra do Gandarela.
O projeto também prevê a canalização de aproximadamente 700 metros do córrego São Luís, com o objetivo de adequar o escoamento da água na região da infraestrutura ferroviária e reduzir riscos de inundação nas instalações.
Outra questão analisada envolve cavidades naturais subterrâneas. O parecer identifica três cavidades na área estudada e registra intervenções consideradas danos em uma delas, denominada BR_0026. Segundo a Feam, essa situação está sendo tratada em procedimento separado do licenciamento da planta.
A nova unidade terá sistemas de filtragem e empilhamento de rejeitos, tratamento de esgoto e medidas de controle de poeira e emissões atmosféricas.
O projeto prevê consumo de 876 metros cúbicos de água bruta por hora, com taxa estimada de recirculação de 97,6%. O abastecimento utilizará fontes já autorizadas nas minas Fazendão e Alegria.
A análise ambiental também considerou possíveis efeitos sobre o tráfego, a fauna, os recursos hídricos e as comunidades próximas, com previsão de programas de monitoramento e mitigação.
A licença foi analisada na modalidade LAC 1, que reúne as fases prévia, de instalação e de operação. O deferimento permite o avanço do empreendimento dentro das condições estabelecidas pelo órgão ambiental.
A Mina Fazendão integra as operações históricas de minério de ferro da Vale na região. Conforme o documento ambiental, a exploração teve início em 1963, e a Vale assumiu as atividades da mina em 1991.








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