A cidade de Itabira não possui mais estruturas da Vale classificadas em nível de emergência. A mudança ocorreu após a Agência Nacional de Mineração (ANM) encerrar, na quinta-feira (29/10), a situação de emergência do Sistema Pontal, localizado na Mina Cauê.

Segundo a mineradora, a decisão foi tomada após a melhoria das condições de estabilidade da estrutura, resultado das obras de reforço realizadas no Dique Minervino. Os trabalhos foram concluídos em dezembro de 2025 e permitiram elevar os fatores de segurança aos parâmetros exigidos pela legislação.
Com a retirada da classificação, todas as estruturas da Vale em Itabira estão fora dos níveis oficiais de emergência. Isso, porém, não significa que as obras de descaracterização tenham terminado. Parte dos diques ainda passa por intervenções, com previsão de conclusão nos próximos anos.
O diretor de Operações da Vale em Itabira, Diogo Monteiro, afirmou que a decisão representa um avanço para a segurança das estruturas no município.
“A retirada do nível de emergência do Sistema Pontal é um marco muito importante para Itabira. A partir de agora, não temos mais nenhuma estrutura em nível de emergência na cidade, o que confirma a efetividade das medidas implementadas nos últimos anos para elevar as condições de segurança das estruturas. Este é um resultado importante para Itabira e para a Vale”, declarou.
Sistema Pontal reúne barragem e diques da Mina Cauê
O Sistema Pontal é formado por diferentes estruturas de contenção de rejeitos da mineração. Entre elas estão os diques Minervino e Nova Vista, que continuam em processo de descaracterização.
Também integram o sistema os diques 2, 3, 4 e 5, cujas obras de descaracterização já foram concluídas, além da barragem principal, construída pelo método a jusante.
A descaracterização consiste em um conjunto de intervenções destinadas a fazer com que uma estrutura deixe de exercer a função de barragem de rejeitos, conforme os requisitos técnicos e legais aplicáveis.
De acordo com a Vale, o Sistema Pontal possui Declarações de Condição de Estabilidade (DCE) positivas. Esses documentos são emitidos por auditorias externas independentes e avaliam as condições de segurança das estruturas com base em critérios técnicos e normas de referência.
A empresa informa que os fatores de segurança estão acima dos limites mínimos previstos na legislação.
O monitoramento continua sendo realizado pelo Centro de Monitoramento Geotécnico (CMG) da mineradora, que acompanha as condições das estruturas de forma permanente, 24 horas por dia.
Mesmo sem classificação de emergência, as estruturas permanecem sujeitas às exigências de fiscalização, manutenção e monitoramento previstas nas normas de segurança de barragens.
Obras de descaracterização em Itabira seguem até 2033
A Vale também informou que oito das dez estruturas previstas em seu Programa de Descaracterização em Itabira já tiveram as obras concluídas.
As duas restantes continuam em intervenção: o Dique Minervino e o Cordão Nova Vista.
As obras nessas estruturas começaram em junho de 2026. A previsão da mineradora é concluir os trabalhos no Dique Minervino em 2030 e no Cordão Nova Vista em 2033.
Durante o período de maior movimentação das obras, a expectativa é de geração de aproximadamente 300 empregos diretos e indiretos, com prioridade para a contratação de trabalhadores da região.
Para permitir a execução dos serviços, a empresa adotou medidas adicionais de segurança, incluindo a construção de estruturas destinadas a conter materiais em caso de problemas nas barragens e nos diques.
Entre essas intervenções estão duas Estruturas de Contenção a Jusante (ECJs). A primeira, denominada ECJ Coqueirinho, foi concluída em junho de 2022. A segunda, identificada como ECJ2, ficou pronta em setembro de 2025.
Também foram executadas as obras de reforço do Dique Minervino, concluídas em dezembro do ano passado e apontadas pela Vale como determinantes para a retirada do nível de emergência do Sistema Pontal.
Avanço do programa de descaracterização da Vale
No conjunto de suas operações, a Vale informou ter concluído as intervenções em 19 das 30 barragens incluídas no Programa de Descaracterização de Barragens, o equivalente a aproximadamente 63% do total.
Até o momento, os investimentos no programa somam R$ 13,7 bilhões, segundo a empresa.
As estruturas construídas pelo método a montante, que utiliza os próprios rejeitos depositados para apoiar etapas posteriores de alteamento, estão inativas e continuam sob monitoramento permanente.
Esse método de construção passou a ser alvo de restrições legais após os rompimentos das barragens de Fundão, em Mariana, em 2015, e da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, em 2019.
Em Itabira, o encerramento do nível de emergência do Sistema Pontal representa uma mudança na classificação oficial de segurança das estruturas da Vale. As atividades de descaracterização e o acompanhamento técnico, entretanto, continuarão nos próximos anos.








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