Mariana é uma cidade que pode ser conhecida caminhando. Nas ruas de pedra, nas fachadas dos casarões, das igrejas, das praças e das construções que permanecem de pé há séculos, diferentes capítulos da formação de Minas Gerais ainda fazem parte da paisagem.

A história do município remonta ao final do século XVII, quando a descoberta do ouro às margens do Ribeirão do Carmo impulsionou a formação do núcleo que daria origem à cidade. Em 1711, o então arraial foi elevado à condição de vila, tornando-se a primeira vila de Minas. Em 1745, recebeu o título de cidade e passou a se chamar Mariana. O município também foi a primeira capital da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro.
A própria organização urbana ajuda a contar essa história. Mariana foi planejada pelo engenheiro militar José Fernandes Pinto Alpoim, com ruas retas e praças regulares, característica que a diferencia entre os núcleos coloniais mineiros. O Centro Histórico preserva ainda o calçamento em pedra e um conjunto arquitetônico que atravessou gerações.
E é justamente por isso que conhecer Mariana exige olhar além de uma única imagem. O rompimento da barragem de Fundão, em 2015, deixou marcas profundas, especialmente em Bento Rodrigues, e passou a associar o nome do município ao desastre. A tragédia faz parte da história recente e não deve ser esquecida. Mas Mariana não se resume a ela: existe uma cidade anterior ao rompimento e que continua viva, com moradores, comércios, culturas, patrimônios e uma paisagem que preserva parte importante da história mineira.
Para mostrar alguns desses lugares, o Mais Minas reuniu cinco pontos que ajudam a conhecer diferentes lados de Mariana.
Jardim: um ponto de encontro no coração da cidade


Quem chega ao Centro Histórico pode começar o passeio pelo Jardim, nome pelo qual a Praça Gomes Freire é conhecida entre os moradores. Cercado por construções históricas, o espaço reúne árvores, jardins, lago, fonte e coreto.
Mais do que um ponto turístico, o Jardim faz parte da vida cotidiana de Mariana. A praça está inserida em uma região que permite seguir a caminhada por outras áreas históricas do município, observando o casario e o calçamento de pedra ao longo do percurso.
Praça Minas Gerais: onde história e arquitetura se encontram

A Praça Minas Gerais é um dos cenários mais conhecidos de Mariana. O espaço reúne a Igreja de São Francisco de Assis, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, o Pelourinho e a antiga Casa de Câmara e Cadeia.

A composição do conjunto revela a presença de diferentes dimensões da sociedade colonial: a religião, representada pelas igrejas; a administração e a Justiça, representadas pela Casa de Câmara e Cadeia; e o poder da Coroa, simbolizado pelo pelourinho.
É um daqueles lugares em que poucos metros de caminhada concentram uma grande quantidade de referências históricas.
Casa de Câmara e Cadeia: um prédio que conta como Mariana era administrada

Entre os edifícios da Praça Minas Gerais, a Casa de Câmara e Cadeia merece uma atenção especial. O prédio foi projetado no século XVIII e concluído em 1798 por José Pereira Arouca. A construção foi destinada a abrigar a primeira sede do Legislativo de Mariana e também a cadeia.
O edifício possuía funções que ajudam a compreender como funcionava uma cidade colonial. No pavimento superior ficavam os espaços destinados às atividades da Câmara, enquanto o térreo abrigava as áreas de prisão. O prédio chegou a ter três enxovias, com celas destinadas a homens brancos, negros e mulheres.
Depois de passar por uma restauração, concluída em 2023, o imóvel voltou a receber as atividades da Câmara Municipal. A construção é, portanto, mais do que um cenário bonito da Praça Minas Gerais: é um dos lugares que materializam a história política e administrativa de Mariana.
Igrejas: marcas da fé e da história de Mariana



As igrejas estão entre os elementos que mais ajudam a compreender a formação histórica e cultural de Mariana. Durante o período colonial, a religiosidade ocupava um espaço importante na vida da população e também na organização urbana, o que pode ser observado na quantidade de templos preservados no município.
A Catedral de Nossa Senhora da Assunção, conhecida como Igreja da Sé, é um dos principais exemplos desse patrimônio religioso. Também fazem parte desse conjunto a Igreja de São Francisco de Assis, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e a Igreja de Nossa Senhora das Mercês.
Entre esses templos está a Igreja de São Pedro dos Clérigos, localizada em uma área mais elevada da cidade e com posição de destaque na paisagem urbana. Construída na segunda metade do século XVIII, apresenta influência italiana em sua arquitetura, característica que a diferencia de outros templos históricos de Mariana.
Juntas, essas igrejas ajudam a contar diferentes capítulos da história do município e mostram como fé, arte, arquitetura e vida social estiveram relacionadas durante a formação de Mariana. Seus edifícios permanecem integrados ao Centro Histórico e fazem parte da paisagem que atravessou diferentes períodos da cidade.
Estação Ferroviária: quando os trilhos chegaram a Mariana

Outro capítulo importante pode ser encontrado na Estação Ferroviária. O ramal ferroviário que ligava Ouro Preto a Mariana teve sua construção prolongada até o município e foi concluído em 1914. A chegada da ferrovia representou uma nova etapa na conexão da cidade com outras localidades.
Hoje, a estação integra o roteiro do Trem da Vale e mantém a presença da ferrovia na paisagem de Mariana. O local também ajuda a lembrar que a história da cidade não termina no período colonial: o município continuou se transformando e incorporando novas formas de circulação e ligação com outras cidades.
Mariana é uma cidade para caminhar e olhar ao redor



Os lugares escolhidos mostram apenas uma parte do que existe para conhecer. Em Mariana, o passeio não precisa terminar quando se chega a um monumento. Ele continua no caminho, nas pedras das ruas, nas fachadas, nos detalhes das construções e na relação entre os diferentes espaços do Centro Histórico.
A cidade carrega as marcas do ciclo do ouro, da religiosidade, da administração colonial, da ferrovia e também de acontecimentos recentes que deixaram cicatrizes profundas. Entre essas histórias está o rompimento da barragem de Fundão, uma tragédia que atingiu comunidades do município e provocou consequências que permanecem presentes.
Mas contar Mariana também é contar tudo aquilo que veio antes e tudo aquilo que continua existindo depois. É falar de uma cidade que possui uma história própria, preservada em seu patrimônio e construída diariamente por seus moradores.
Mais do que uma fotografia associada a um desastre, Mariana pode ser compreendida pelo conjunto de histórias que suas ruas ainda guardam.








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