Lílian França (PP) não conseguiu uma cadeira na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, mas os números das eleições de 2026 mostram que sua candidatura terminou com um saldo político relevante. Foram 4.716 votos em Minas Gerais, sendo 2.997 somente em Ouro Preto, onde terminou como a terceira candidata a deputada estadual mais votada.

O resultado ganha mais importância quando comparado ao desempenho de nomes já conhecidos do eleitorado ouro-pretano. Lílian recebeu mais que o dobro dos 1.464 votos de Julio Pimenta (MDB), ex-prefeito de Ouro Preto. Também alcançou uma votação equivalente a 52,8% dos 5.673 votos obtidos no município por Leleco Pimentel (PT), deputado estadual que conquistou a reeleição.
Não significa, evidentemente, que as candidaturas possam ser colocadas em condições iguais. Leleco entrou na disputa buscando renovar um mandato e contando com uma estrutura política construída ao longo dos últimos anos. Julio Pimenta carrega no currículo um mandato como prefeito. Ainda assim, a comparação ajuda a medir o tamanho do espaço conquistado por Lílian dentro do eleitorado local.
Em Ouro Preto, ela recebeu 7,02% dos votos válidos para deputado estadual. Ficou atrás apenas de Leleco, com 13,29%, e Bruno Engler (PL), com 7,26%. A diferença para Engler foi de apenas 103 votos. Logo depois de Lílian apareceram Beatriz Cerqueira (PT), com 1.935 votos, Carol Caram (Avante), com 1.492, e Julio Pimenta, com 1.464.
Os números apontam uma leitura política que vai além do resultado formal da eleição. Uma candidatura que termina sem mandato pode sair enfraquecida, permanecer no mesmo lugar ou ampliar seu capital eleitoral. No caso de Lílian, os 2.997 votos conquistados em Ouro Preto dão a ela uma base concreta para continuar participando das disputas políticas do município, principalmente por ela ser a única mulher a exercer um mandato legislativo na Região dos Inconfidentes.
Há ainda um outro elemento na votação de domingo que reforça essa leitura. O candidato a deputado federal apoiado por Lílian, Pinheirinho (PP), também teve desempenho expressivo em Ouro Preto. Ele recebeu 1.268 votos, ficando entre os candidatos mais votados para a Câmara dos Deputados no município.
Pinheirinho ficou atrás de Duarte Júnior (PSB), com 8.488 votos; Nikolas Ferreira (PL), com 7.583; Ana Elisa (PT), com 3.426; Paulo Abi-Ackel (PSDB), com 2.930; Duda Salabert (PSOL), com 2.440; Padre João (PT), com 2.222; e Miguel Ângelo (PT), com 1.334. A diferença entre Miguel Ângelo e Pinheirinho foi de apenas 66 votos.
No resultado estadual, o candidato do PP recebeu 151.981 votos em Minas Gerais, terminando com a sexta maior votação para deputado federal no estado, atrás apenas de Nikolas Ferreira, Ana Elisa, Duda Salabert, Reginaldo Lopes e Rogério Correia. Pinheirinho foi reeleito deputado federal.
O desempenho dos dois candidatos não permite atribuir automaticamente os votos de Pinheirinho ao trabalho político de Lílian em Ouro Preto. Ele possui sua própria trajetória e estrutura eleitoral. Mas o resultado da dobradinha é um dado que deve ser considerado na leitura do cenário local, principalmente porque ambos conseguiram votações relevantes no município.
Para Lílian, os números deixam uma fotografia diferente daquela existente antes da campanha. Ela encerra a eleição sabendo que conseguiu chegar a quase 3 mil votos dentro de Ouro Preto, superar um ex-prefeito e alcançar mais da metade da votação municipal de um deputado estadual reeleito.








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