Minas Gerais registrou uma redução no número de eleitores ausentes no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. A abstenção passou de 22,81%, no primeiro turno, realizado em 4 de outubro, para 20,33% na votação de domingo (25), segundo dados da Justiça Eleitoral.

Em números absolutos, o total de pessoas que deixaram de votar caiu de 3.735.098 para 3.327.941. A diferença corresponde a 407.157 eleitores a menos ausentes, uma redução de 10,9% entre as duas etapas da eleição.
Apesar do aumento no comparecimento, o estado ainda teve mais de 3,3 milhões de eleitores que não foram às urnas. O índice de abstenção no segundo turno equivale a aproximadamente um quinto do eleitorado mineiro.
A redução ocorreu no mesmo período em que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reverteu o resultado do primeiro turno em Minas Gerais e terminou a disputa presidencial à frente de Flávio Bolsonaro (PL). Lula recebeu 50,43% dos votos válidos no estado, contra 49,57% do adversário, uma diferença de 109.313 votos.
Mobilização de eleitores em Minas Gerais
O cientista político Rudá Ricci, presidente do Instituto Cultiva, atribuiu parte da mudança à mobilização de eleitores na Região Metropolitana de Belo Horizonte e no Norte de Minas. Segundo ele, o movimento teve intensidade diferente em outras áreas do estado, como o Sul de Minas e o Triângulo Mineiro.
Ricci também destacou a participação de jovens no incentivo a familiares que não haviam votado no primeiro turno, incluindo pessoas com mais de 70 anos, para quem o voto é facultativo.
“Houve uma união muito peculiar e inusitada dos bem jovens com os bem idosos, que foram aqueles que não votaram no primeiro turno e que vieram aos montes nesse segundo turno”, afirmou.
Na avaliação do especialista, acontecimentos durante a campanha e a repercussão de conteúdos nas redes sociais contribuíram para estimular reações entre eleitores. Ele citou um vídeo publicado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) sobre o Nordeste e as participações de Flávio Bolsonaro em debates eleitorais.
Mudança na avaliação dos candidatos
O cientista político Felipe Nunes avaliou que a forma como parte do eleitorado enxergou a disputa mudou entre os turnos. Segundo ele, o segundo turno foi marcado também pela avaliação sobre a possibilidade de a família Bolsonaro voltar à Presidência da República.
Nunes apontou ainda a mobilização digital como um dos fatores que podem ter contribuído para o aumento da participação. De acordo com sua análise, Lula ultrapassou Flávio Bolsonaro em popularidade nas redes sociais durante o segundo turno, conforme dados do Índice de Popularidade Digital (IPD) da Quaest. O especialista também mencionou a atuação do deputado federal André Janones (Avante) nesse ambiente.
Os números apresentados na reportagem indicam que Lula recebeu cerca de 1,16 milhão de votos a mais em Minas Gerais no segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro ampliou sua votação em aproximadamente 464 mil votos em relação à primeira etapa.
Abstenção continua acima de 20%
Mesmo com a redução, Rudá Ricci considerou elevado o índice de eleitores ausentes. Para ele, a abstenção também pode refletir dificuldades de identificação da população com os candidatos e com o sistema político.
O cientista político avalia que parte do problema está relacionada à percepção de que o debate eleitoral não contempla as necessidades cotidianas dos cidadãos.
A queda da abstenção mostra que mais eleitores mineiros compareceram às urnas no segundo turno. Já as explicações sobre os motivos dessa mudança correspondem às avaliações dos especialistas ouvidos pela reportagem, e não a uma causa única comprovada pelos dados eleitorais.








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