O deputado federal eleito Gleidson Azevedo (Republicanos), irmão do governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), responsabilizou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo encerramento da produção de aço da Gerdau em Divinópolis, no Centro-Oeste mineiro. A declaração foi feita nas redes sociais nesta terça-feira (3/11), após o anúncio das demissões na unidade.

Gleidson afirmou que já havia alertado sobre a possibilidade de fechamento da usina caso Lula fosse reeleito. Para ele, a decisão da siderúrgica seria consequência da política econômica do governo federal.
“O tesouraço começou nas nossas empresas do Brasil. Quando passou o primeiro turno, eu fui para a porta da Gerdau e avisei: se o Lula ganhar essa reeleição, a Gerdau vai fechar a usina e vai mandar funcionários embora. (…) Foi só passar o segundo turno, onde o Lula foi reeleito, tá aí, ó. A Gerdau tá fechando a usina e vai ser mais de duas mil empresas impactadas aqui em Divinópolis”, declarou.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Divinópolis e Região, 280 trabalhadores foram demitidos, enquanto outros 120 receberam propostas de transferência para unidades da empresa em outras cidades.
A decisão também preocupa comerciantes e prestadores de serviços que dependem da atividade industrial no município. A Prefeitura estima que até mil trabalhadores, entre funcionários próprios e terceirizados, possam ser afetados.
Gleidson prevê impacto na economia e critica governo Lula
Em sua manifestação, Gleidson afirmou que o encerramento das atividades poderá atingir mais de 2 mil empresas de Divinópolis, especialmente aquelas que mantêm relações comerciais com a siderúrgica ou dependem da movimentação econômica gerada pela unidade.
O deputado eleito também mencionou a possibilidade de perda de mais de 4 mil empregos diretos e indiretos. O número, porém, é uma projeção apresentada por ele e não corresponde à quantidade de demissões confirmadas até o momento.
“Mais de quatro mil empregos diretos e indiretos. E eu tenho certeza que essa realidade é por todo o país. Por quê? Porque a gente sabe que o governo do Lula, né, ele vai continuar gastando, ele não tem austeridade, vocês já viram aí que eles já estão criando novos impostos, que vai ser o imposto mais caro do planeta”, afirmou.
Gleidson também criticou a possibilidade de responsabilização da administração estadual ou da Prefeitura de Divinópolis pela situação.
“Isso aí, gente, o empresário não vai aguentar. E não venham com narrativas, né, seus militantes, deputados, vir para a rede social, falar que a culpa é do governo de estado e nem da Prefeitura de Divinópolis, não. Essa culpa é do governo Lula e essa culpa eu não carrego”, disse.
As declarações representam a avaliação política do deputado eleito. A Gerdau não atribuiu diretamente o encerramento da produção em Divinópolis à reeleição de Lula.
O que diz a Gerdau sobre o encerramento da produção
Em nota, a siderúrgica informou que a decisão está relacionada principalmente às dificuldades de manter a competitividade da unidade, especialmente diante dos custos de aquisição do minério de ferro, matéria-prima utilizada na fabricação do aço.
Segundo a empresa, a medida “está relacionada, principalmente, à perda de competitividade da operação, em razão da ausência de fornecimento de minério de ferro a custos competitivos, fator que tem pressionado os custos de produção”.
A companhia também vem promovendo ajustes em suas operações brasileiras. No balanço do terceiro trimestre de 2026, divulgado em 26 de outubro, a Gerdau informou que estava readequando seus ativos para melhorar a produtividade e a rentabilidade, em um cenário de pressão provocada pelas importações de aço.
Apesar das dificuldades em determinadas unidades, o grupo registrou lucro líquido ajustado de R$ 1,5 bilhão entre julho e setembro, impulsionado principalmente pelos resultados das operações na América do Norte.
O balanço não apresentou informações financeiras específicas sobre a unidade de Divinópolis.
A prefeita Janete Aparecida (Avante) também se manifestou sobre o encerramento da produção. Segundo ela, a situação vinha sendo discutida com a direção da siderúrgica antes do anúncio das demissões.
Janete afirmou que participou de uma reunião com representantes da Gerdau em 29 de outubro. Na ocasião, uma paralisação temporária teria sido considerada como alternativa para preservar postos de trabalho e permitir uma possível retomada futura.
A administração municipal avalia medidas para reduzir os efeitos das demissões sobre os trabalhadores e a economia da cidade.
O encerramento da produção de aço representa uma mudança importante para Divinópolis, onde a atividade siderúrgica movimenta empregos, fornecedores, transportadoras e estabelecimentos comerciais.
Até o momento, não há confirmação de que todas as atividades da unidade serão encerradas definitivamente.








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