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Ana Elisa articula reunião com Alckmin e diz que Gerdau pode retomar produção em Divinópolis

Deputada federal eleita afirma que unidade está em processo de hibernação e defende diálogo para preservar empregos após demissão de 280 trabalhadores

Foto de Rodolpho Bohrer
comunicacao@maisminas.org

Deputada eleita por Minas Gerais, Ana Elisa afirmou na quarta-feira (4) que ainda existe a possibilidade de retomada da produção de aço da Gerdau em Divinópolis. Após o anúncio do encerramento das atividades industriais e da demissão de 280 trabalhadores, ela participou de uma articulação em Brasília com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e a prefeita Janete Aparecida para discutir alternativas para a unidade.

Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, Ana Elisa disse que a fábrica passa por um processo de hibernação e que o encerramento de parte das operações não significa, necessariamente, o fechamento definitivo da unidade.

“Hoje é importante dizer que, sim, a Gerdau encerrou sua atividade em algumas partes, mas não é definitivo, pode não ser definitivo. A Gerdau está em processo de hibernação e há possibilidade, sim, de volta”, afirmou.

A declaração representa a avaliação apresentada pela parlamentar após as articulações em Brasília. Até o momento, não foi anunciada pela Gerdau uma decisão de retomar a produção de aço em Divinópolis.

Ana Elisa relatou que começou a buscar interlocução com representantes políticos e da empresa assim que tomou conhecimento do encerramento das tratativas que buscavam preservar as atividades da siderúrgica.

Segundo ela, a iniciativa de reunir representantes da Prefeitura, do governo federal e da Gerdau tem como objetivo encontrar uma solução que reduza os impactos econômicos e sociais da decisão.

“Nós viemos para Brasília, para uma articulação que eu fiz junto ao presidente Alckmin para trazer a prefeita Janete e todos os representantes da Gerdau, para nós fazermos uma defesa”, declarou.

Ana Elisa critica disputa política após demissões na Gerdau

Durante a manifestação, Ana Elisa pediu que o debate sobre o futuro da siderúrgica seja conduzido com responsabilidade. A parlamentar afirmou que divergências políticas com a prefeita Janete Aparecida não devem impedir a atuação conjunta em defesa dos trabalhadores.

“Todas as minhas opiniões políticas que podem divergir com a prefeita Janete não estão acima do desenvolvimento popular e da vida da população”, disse.

Ela também criticou a utilização das demissões como instrumento de confronto nas redes sociais, especialmente diante da situação enfrentada pelas famílias que dependiam dos empregos na fábrica.

“Este não é o momento de nós irmos para a porta da Gerdau ridicularizar aqueles funcionários. Este não é o momento de nós virmos para as redes sociais, procurarmos um culpado, a prefeita, o presidente, o vice-presidente, o governador, não”, afirmou.

A declaração ocorre em meio à repercussão política do encerramento da produção de aço em Divinópolis. Na terça-feira (3), o deputado federal eleito Gleidson Azevedo (Republicanos), irmão do governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo, responsabilizou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelas demissões.

Gleidson afirmou que havia alertado sobre o risco de fechamento da fábrica caso Lula fosse reeleito. A Gerdau, entretanto, não atribuiu a decisão diretamente ao resultado da eleição presidencial.

Sem citar nominalmente Gleidson em seu pronunciamento, Ana Elisa criticou políticos que, segundo ela, utilizam as redes sociais para atacar adversários em vez de buscar alternativas para a manutenção dos empregos.

“Tem pessoas reais desempregadas nesse momento. E essas pessoas reais desempregadas precisam de um prumo e de uma resposta. E a resposta precisa vir da política, não das redes sociais, muitas das vezes”, declarou.

A parlamentar também mencionou os impactos das demissões sobre as famílias dos metalúrgicos. Segundo ela, a perda da renda atinge despesas essenciais e compromete o planejamento de trabalhadores que contavam com benefícios oferecidos pela empresa no fim do ano.

“Eu sei o que é viver perto de um metalúrgico. Eu sei o que é depender daquele salário para comer. Eu sei que muitas pessoas estavam esperando a cesta de Natal que a Gerdau dá de carne. E essas pessoas não terão”, afirmou.

Ana Elisa acrescentou que a preocupação não se limita aos empregados diretamente atingidos. Comerciantes, fornecedores e pequenos empreendedores que dependem da movimentação econômica da siderúrgica também podem enfrentar dificuldades.

“São pessoas que estão ali empreendedoras todos os dias que dependem da economia daquela empresa. É real. É um problema real”, disse.

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Gerdau demitiu 280 trabalhadores e decisão pode afetar mil pessoas

O encerramento da produção de aço na unidade de Divinópolis foi anunciado pela Gerdau na terça-feira, 3 de novembro. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Divinópolis e Região, 280 funcionários foram demitidos, enquanto outros 120 receberam propostas de transferência para unidades da companhia em outras cidades brasileiras.

Antes dos desligamentos, a fábrica contava com aproximadamente 600 trabalhadores, de acordo com o presidente do sindicato, Anderson Willian.

A Prefeitura de Divinópolis estima que os efeitos da decisão possam alcançar cerca de mil pessoas, considerando empregados próprios e terceirizados.

O impacto também preocupa a administração municipal em razão da importância da indústria para a economia local. Estudos da Prefeitura indicam que a unidade pode representar até 15% dos repasses de ICMS recebidos pelo município.

Nos bairros Interlagos e Porto Velho, próximos à fábrica, existem mais de 2 mil empresas, das quais 93% são microempresas. Parte desses negócios pode sofrer consequências com a redução da atividade industrial e da circulação de renda.

A Gerdau justificou o encerramento da produção pela perda de competitividade da unidade, especialmente diante das dificuldades para adquirir minério de ferro a custos considerados adequados.

A siderúrgica também apontou a pressão das importações de aço e condições desfavoráveis para exportação como fatores que afetam suas operações no Brasil.

A companhia informou que busca concentrar a produção em unidades consideradas mais eficientes, com melhores condições tecnológicas e operacionais.

Apesar da interrupção da fabricação de aço, ainda não há confirmação de que todas as atividades da unidade de Divinópolis serão encerradas definitivamente.

Ana Elisa afirmou que novas articulações estão previstas em Brasília nesta sexta-feira (6) e disse que o governo federal demonstra disposição para discutir alternativas que permitam a retomada das atividades.

“Hoje nós nos reunimos com a prefeita Janete, com o vice-presidente Alckmin. Amanhã nós já temos outras tentativas que nós faremos aqui em Brasília. E o governo federal está disposto a fazer de tudo para que a Gerdau retorne”, declarou.

A parlamentar encerrou o pronunciamento defendendo que as autoridades mantenham o diálogo e priorizem medidas concretas para os trabalhadores atingidos.

“Política é para quem liga para a vida real. É lindo ser oposição. É lindo falar mal do governo. Não quando tem gente desempregada”, concluiu.

A possibilidade de retomada da produção depende de decisões da empresa e dos resultados das negociações. Não foram divulgados prazos, compromissos formais ou medidas específicas decorrentes da reunião em Brasília.

Sobre o autor Rodolpho Bohrer

Sócio-proprietário e fundador do Mais Minas e jornalista em formação pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Redator de cidades, tecnologia e política, além de link builder na Agência MaisPost. Em 2026, foi um dos repórteres vencedores do prêmio estadual "Tributação e Justiça Social", promovido pelo Sindicatos dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (SINJORBA).

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