Olá, meus caros leitores! Mais um artigo/coluna semanal com exclusividade aqui no jornal O Mais Minas. Agradeço as inúmeras mensagens sobre a última coluna, “O Colapso da Influência Digital”. Recebi feedbacks valiosos pós-leitura de vocês, em especial dos meus colegas escritores e da nova Academia de Letras de Itabirito, da qual faço parte com honra como membro associado.

A escritora Nancy Alves deixou a seguinte mensagem:
“Parabéns, Lourenzo! Concordo plenamente com as abordagens compartilhadas! Realmente, a modernidade é necessária, mas a sua compreensão e aplicabilidade moderada deveriam galgar espaço concomitante com ‘apelos emocionais’ cada vez mais agressivos à saúde física e emocional das pessoas, infelizmente.”
Gosto muito do retorno e das reflexões que vocês me enviam. Neste segundo artigo, a abordagem é direcionada aos leitores e livreiros “de raiz”. Afinal, para além de jornalista e escritor, sou um leitor assíduo, lanço livros anualmente e, digamos, vivo literalmente em uma bolha literária. Esse assunto surge de reflexões do meu cotidiano no mercado editorial.
Mas essa é uma conversa para todos: o que está acontecendo com os livros e a literatura? Em especial, com os livros impressos. Estarão eles, de fato, em declínio?
Trata-se de um debate complexo, mas que merece nossa reflexão. Quando exatamente os livros deixaram de ser tão populares e queridos? Quando foi a última vez que lemos por prazer? Quem nos presenteou com nosso livro favorito?
O estímulo à leitura nos foi ensinado, sobretudo, na escola. Nossos primeiros acessos (e falo aqui como jornalista e escritor egresso da rede pública de ensino) vieram dos livros didáticos. Eles nos apresentaram à teoria, à reflexão e à pesquisa. As bibliotecas escolares, quando bem estruturadas, também serviam como suporte fundamental a partir de um acervo considerável.
Na infância, na adolescência e na juventude, fomos alfabetizados e letrados com a ajuda dos livros. Alguns de nós, com sorte, tiveram pais cuidadosos que incentivaram a leitura também fora da escola, tornando-a um hábito prazeroso. Outros cresceram rodeados de livros em casa. Aqui já podemos perceber que o gosto pela leitura está diretamente ligado ao acesso e ao estímulo. Nossa mente e nosso comportamento são moldados por esses fatores até que a leitura se torne um hobby ou um trauma bloqueado.
Na fase adulta, já temos nossas experiências literárias consolidadas. Escolhemos nossos gêneros favoritos, autores do coração e até construímos nossas próprias bibliotecas pessoais. Mas em que momento a leitura deixou de ser uma pauta comum, cheia de trocas e aprendizados? Quando os livros, que transformam quem somos, ampliam nossa visão de mundo e fortalecem o pensamento crítico, perderam seu prestígio quase unânime?
Os adultos perdem o hábito de ler por prazer devido a uma série de fatores, que variam desde a sobrecarga da rotina até a mudança na forma como o tempo livre é utilizado. Se na juventude o hábito é estimulado pelo ambiente escolar e familiar, ao chegar à vida adulta as prioridades mudam: o trabalho, as responsabilidades financeiras e a vida social passam a competir diretamente com o tempo antes dedicado aos livros. Soma-se a isso a presença constante das novas tecnologias e telas, disputando nossa atenção a todo momento.
Diante disso, pergunto: será que estamos apenas falando para uma bolha? Ou trata-se de um comportamento de consumo tipicamente brasileiro, que marginaliza os livros e os transforma em artigos de luxo?
Um panorama recente sobre o consumo de livros, divulgado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), traz dados valiosos sobre faixa etária, comportamento, gêneros mais procurados, regionalidades e, principalmente, acessibilidade. A pesquisa expõe avanços e retrocessos que valem a leitura.
Diante desse cenário, continuemos refletindo: o acesso à literatura tem sido intencionalmente dificultado ou estamos sendo radicais nessa conversa? Seja como for, ainda há esperança. Iniciativas de clubes de leitura, bibliotecas comunitárias e o fortalecimento do mercado editorial independente mostram que o livro impresso pode, sim, continuar ocupando um espaço valioso. A literatura resiste e se reinventa. Qual sua opinião? Compartilhe por aqui.
Que os livros possam sempre ocupar as prateleiras do nosso coração. Boas leituras! Lourenzo.


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