Em algum momento, entre uma passada de dedo e outra em nossas timelines infinitas, paramos para refletir sobre como estamos consumindo influenciadores digitais nesta era tecnológica? Esta coluna tem o objetivo de provocar reflexões importantes sobre nosso consumo digital em uma sociedade imersa em inovações, atualizações constantes e novas formas de ver e consumir conteúdo.

Há um lado positivo nisso, é claro. Vivemos avanços extraordinários no acesso e na democratização da informação. No entanto, nossas redes sociais, que antes tinham uma timeline mais autêntica e livre de pressões sociais, tornaram-se arenas de competição por prestígio e status. A felicidade filtrada, as viagens exuberantes, as festas sofisticadas, os chás de revelação viraram tendências exibidas aos olhos de quem quiser ver.
Com o fenômeno crescente dos influenciadores digitais, especialmente após a pandemia, víamos vidas de anônimos e famosos expostas sob a ótica da intimidade. Abriram-se as portas das casas para compartilhar a rotina, os relacionamentos, a criação dos filhos, a ração do pet e até o primeiro momento do dia após acordar. Essa proximidade gerou conexões emocionais, e os números cresceram de forma avassaladora. De repente, estávamos totalmente imersos e engajados com essas “figuras de relevância digital”.
Com o crescimento dessa influência, surge a questão: o que poderia dar errado? No meio dessa explosão de conteúdo, a linha entre vida real e ficção digital tornou-se tênue. A capacidade de manipular, editar e recortar momentos compartilhados virou ferramenta de estratégia. Marcas e empresas perceberam o potencial e passaram a investir em parcerias com esses fenômenos.
Agora, tudo se misturou. Cápsulas “milagrosas” para crescimento de cabelo e unhas são anunciadas sem qualquer embasamento científico, mas a blogueira postou. Procedimentos estéticos são mostrados como se fossem intervenções simples e sem riscos. Relacionamentos são expostos em vlogs emocionantes, para em seguida vir a nota oficial do término. Seguidores assistem ao espetáculo, torcem, lamentam e mantêm o engajamento.
E, claro, a corrida pela riqueza rápida encontrou terreno fértil: influenciadores promovem jogos de azar e casas de apostas como “oportunidades”, ignorando seus impactos sociais e financeiros. A polícia bate à porta, as operações explodem, mas o ciclo continua.
Não há uma conduta ética estabelecida para essas publicações. Tudo é feito por intuição e pelo lucro. Mas por que deveria haver um código de conduta? Quem está cobrando? Quem está incomodado? Afinal, em que era digital estamos vivendo?
Precisamos conversar sobre consumo digital. O que você acha?


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