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CÂMARA DE MARIANA
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Opinião Carlos Daniel Carlos.daniel_9@hotmail.com

Natural de Mariana (MG), jornalista formado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e apaixonado por futebol. Atua com reportagem, produção audiovisual e criação de conteúdo.

O preço de morar em Mariana e Ouro Preto: cidades aparecem entre as mais caras de Minas

Mariana ocupa a terceira posição do ranking, enquanto Ouro Preto aparece em quarto, entre os municípios com maior custo de vida no estado

Publicado em 15/09/2026 às 19:25

Quem mora em Mariana provavelmente não precisa de um ranking para desconfiar que a vida por aqui não anda barata. Mas, quando os números colocam a cidade na terceira posição entre os municípios mineiros avaliados em um levantamento de custo de vida, a percepção cotidiana ganha outra dimensão.

Mariana aparece com 88,7 pontos, atrás apenas de Belo Horizonte, que lidera a classificação com 100 pontos, e de Nova Lima, com 93,4. Ouro Preto vem logo depois, na quarta posição, com 87,2 pontos.

O resultado chama atenção porque as duas cidades aparecem à frente de municípios maiores e mais populosos de Minas Gerais. Uberlândia, Juiz de Fora, Contagem e Betim, por exemplo, ficaram abaixo de Mariana e Ouro Preto na classificação.

O levantamento considera diferentes aspectos relacionados ao cotidiano da população, entre eles moradia, aluguel, alimentação, transporte, educação, saúde, serviços e lazer. Também entram na análise fatores como renda média e valorização imobiliária. É justamente a combinação desses indicadores que ajuda a dimensionar o custo de vida em Mariana e Ouro Preto.

As duas cidades têm características bastante particulares. São municípios históricos, recebem turistas durante todo o ano e possuem uma dinâmica econômica marcada também pela presença da mineração e por um fluxo constante de estudantes, trabalhadores e visitantes.

Isso faz com que o custo de viver nesses lugares seja uma questão que vai além do preço de produtos no supermercado. Moradia, aluguel e serviços, por exemplo, têm impacto direto no orçamento de quem vive permanentemente na região.

O custo de viver entre história e turismo

O Jardim é um dos pontos mais conhecidos de Mariana e reúne, no mesmo cenário, o movimento da cidade e a arquitetura histórica do município. Foto: Carlos Daniel/Mais Minas

Mariana e Ouro Preto não estão sozinhas entre os destinos turísticos que aparecem nas primeiras posições. Tiradentes ocupa o quinto lugar, com 85,9 pontos, enquanto Diamantina aparece em sexto, com 85,5.

O dado mostra como algumas das cidades turísticas mais conhecidas de Minas também aparecem em posições elevadas quando o assunto é custo de vida.

Há uma contradição interessante nesse cenário. Uma cidade pode ser valorizada, movimentada e desejada por quem chega de fora e, ao mesmo tempo, apresentar dificuldades para quem precisa morar nela.

O valor dos imóveis e dos aluguéis é um exemplo claro de como essa dinâmica pode afetar a população local. Para quem tem renda que não acompanha a valorização da cidade, morar onde o turismo e a atividade econômica são fortes pode significar um orçamento cada vez mais apertado.

E as cidades da mineração?

A arquitetura colonial de Ouro Preto aparece emoldurada pela sacada de um casarão, com uma das igrejas históricas da cidade ao fundo. Foto: Reprodução/Assistente de viagem

O ranking também permite comparar Mariana e Ouro Preto com outros municípios conhecidos pela atividade mineradora.

Itabira aparece em 15º lugar, com 67,5 pontos, enquanto Itabirito ocupa a 16ª posição, com 66,3. Conceição do Mato Dentro ficou em 18º, com 62,1, e Brumadinho aparece na última posição entre os 19 municípios analisados, com 60,7.

A diferença chama atenção. Afinal, são cidades que também possuem forte presença da mineração e, em alguns casos, turismo e patrimônio histórico.

Mas os números mostram que a atividade econômica de um município, sozinha, não determina sua posição no ranking. O custo de vida resulta de uma combinação de fatores que afetam diretamente o cotidiano de quem mora em cada lugar.

No fim, talvez a pergunta mais interessante não seja apenas qual cidade movimenta mais dinheiro, mas quanto custa para uma pessoa comum viver nela.

O ranking em números

  1. Belo Horizonte – 100,0
  2. Nova Lima – 93,4
  3. Mariana – 88,7
  4. Ouro Preto – 87,2
  5. Tiradentes – 85,9
  6. Diamantina – 85,5
  7. Uberlândia – 81,0
  8. Juiz de Fora – 78,6
  9. Montes Claros – 76,3
  10. Contagem – 74,2
  11. Betim – 72,8
  12. Araxá – 71,2
  13. Lavras – 70,1
  14. Sabará – 68,9
  15. Itabira – 67,5
  16. Itabirito – 66,3
  17. Poços de Caldas – 63,8
  18. Conceição do Mato Dentro – 62,1
  19. Brumadinho – 60,7

Os números usados na comparação vêm de diferentes bases de informação. Entre os dados considerados estão registros do IBGE, da Fundação João Pinheiro, do FipeZap, do Numbeo e do Governo de Minas Gerais. É desse conjunto de informações que surge a pontuação atribuída a cada município. 

No fim das contas, o ranking coloca em números uma percepção que pode ser familiar para quem vive na região: Mariana e Ouro Preto são cidades valorizadas, movimentadas e com forte circulação de pessoas, mas também aparecem entre os municípios mineiros onde o custo de vida é mais alto.

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