Quem mora em Mariana provavelmente não precisa de um ranking para desconfiar que a vida por aqui não anda barata. Mas, quando os números colocam a cidade na terceira posição entre os municípios mineiros avaliados em um levantamento de custo de vida, a percepção cotidiana ganha outra dimensão.

Mariana aparece com 88,7 pontos, atrás apenas de Belo Horizonte, que lidera a classificação com 100 pontos, e de Nova Lima, com 93,4. Ouro Preto vem logo depois, na quarta posição, com 87,2 pontos.
O resultado chama atenção porque as duas cidades aparecem à frente de municípios maiores e mais populosos de Minas Gerais. Uberlândia, Juiz de Fora, Contagem e Betim, por exemplo, ficaram abaixo de Mariana e Ouro Preto na classificação.
O levantamento considera diferentes aspectos relacionados ao cotidiano da população, entre eles moradia, aluguel, alimentação, transporte, educação, saúde, serviços e lazer. Também entram na análise fatores como renda média e valorização imobiliária. É justamente a combinação desses indicadores que ajuda a dimensionar o custo de vida em Mariana e Ouro Preto.
As duas cidades têm características bastante particulares. São municípios históricos, recebem turistas durante todo o ano e possuem uma dinâmica econômica marcada também pela presença da mineração e por um fluxo constante de estudantes, trabalhadores e visitantes.
Isso faz com que o custo de viver nesses lugares seja uma questão que vai além do preço de produtos no supermercado. Moradia, aluguel e serviços, por exemplo, têm impacto direto no orçamento de quem vive permanentemente na região.
O custo de viver entre história e turismo

Mariana e Ouro Preto não estão sozinhas entre os destinos turísticos que aparecem nas primeiras posições. Tiradentes ocupa o quinto lugar, com 85,9 pontos, enquanto Diamantina aparece em sexto, com 85,5.
O dado mostra como algumas das cidades turísticas mais conhecidas de Minas também aparecem em posições elevadas quando o assunto é custo de vida.
Há uma contradição interessante nesse cenário. Uma cidade pode ser valorizada, movimentada e desejada por quem chega de fora e, ao mesmo tempo, apresentar dificuldades para quem precisa morar nela.
O valor dos imóveis e dos aluguéis é um exemplo claro de como essa dinâmica pode afetar a população local. Para quem tem renda que não acompanha a valorização da cidade, morar onde o turismo e a atividade econômica são fortes pode significar um orçamento cada vez mais apertado.
E as cidades da mineração?

O ranking também permite comparar Mariana e Ouro Preto com outros municípios conhecidos pela atividade mineradora.
Itabira aparece em 15º lugar, com 67,5 pontos, enquanto Itabirito ocupa a 16ª posição, com 66,3. Conceição do Mato Dentro ficou em 18º, com 62,1, e Brumadinho aparece na última posição entre os 19 municípios analisados, com 60,7.
A diferença chama atenção. Afinal, são cidades que também possuem forte presença da mineração e, em alguns casos, turismo e patrimônio histórico.
Mas os números mostram que a atividade econômica de um município, sozinha, não determina sua posição no ranking. O custo de vida resulta de uma combinação de fatores que afetam diretamente o cotidiano de quem mora em cada lugar.
No fim, talvez a pergunta mais interessante não seja apenas qual cidade movimenta mais dinheiro, mas quanto custa para uma pessoa comum viver nela.
O ranking em números
- Belo Horizonte – 100,0
- Nova Lima – 93,4
- Mariana – 88,7
- Ouro Preto – 87,2
- Tiradentes – 85,9
- Diamantina – 85,5
- Uberlândia – 81,0
- Juiz de Fora – 78,6
- Montes Claros – 76,3
- Contagem – 74,2
- Betim – 72,8
- Araxá – 71,2
- Lavras – 70,1
- Sabará – 68,9
- Itabira – 67,5
- Itabirito – 66,3
- Poços de Caldas – 63,8
- Conceição do Mato Dentro – 62,1
- Brumadinho – 60,7
Os números usados na comparação vêm de diferentes bases de informação. Entre os dados considerados estão registros do IBGE, da Fundação João Pinheiro, do FipeZap, do Numbeo e do Governo de Minas Gerais. É desse conjunto de informações que surge a pontuação atribuída a cada município.
No fim das contas, o ranking coloca em números uma percepção que pode ser familiar para quem vive na região: Mariana e Ouro Preto são cidades valorizadas, movimentadas e com forte circulação de pessoas, mas também aparecem entre os municípios mineiros onde o custo de vida é mais alto.








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