O ex-delegado da Polícia Civil, Geraldo do Amaral Toledo, de 54 anos, deixou o sistema prisional após cumprir 11 anos de pena pela morte da adolescente Amanda Linhares dos Santos, assassinada aos 17 anos em 2013, em uma estrada de acesso ao distrito de Lavras Novas, em Ouro Preto.

A soltura definitiva foi concedida em 12 de setembro. Antes de receber o alvará, Toledo estava preso no Presídio de Andradas, no Sul de Minas. Ele foi transferido para o Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) de Contagem, onde permaneceu por dois dias.
O ex-policial havia sido condenado inicialmente a 18 anos e nove meses de prisão. Os detalhes relacionados à execução da pena estão sob sigilo.
Mesmo durante o período em que cumpria a pena em regime semiaberto, Toledo manteve vínculo com a rede estadual de ensino. Conforme informações do Portal da Transparência, ele atua como professor de História desde 2021.
O ex-delegado passou por unidades escolares de Belo Horizonte, Pouso Alegre e São Lourenço. Em 2024, foi efetivado na Escola Estadual Mendes de Oliveira, em Congonhal. Segundo os registros, os pagamentos feitos pelo Estado ao docente já ultrapassam R$ 100 mil, com remuneração mensal próxima de R$ 4 mil.
Assassinato aconteceu em Lavras Novas
Amanda Linhares foi baleada na cabeça em abril de 2013, durante uma discussão com Toledo na estrada que liga a sede de Ouro Preto a Lavras Novas. Na época, os dois mantinham um relacionamento.
Após o disparo, Toledo teria tentado apresentar o caso como suicídio. A versão foi contestada pela perícia, que apontou a ausência de resíduos de pólvora nas mãos da adolescente.
Amanda permaneceu internada em um hospital de Belo Horizonte durante 50 dias, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.
Um mês antes do crime, a jovem já havia registrado um boletim de ocorrência contra o então delegado por agressão, segundo registros da Polícia Civil.
Condenação e perda do cargo
O julgamento ocorreu em 2015, no Fórum de Ouro Preto, após três dias de júri popular. A condenação foi proferida pela juíza Lúcia de Fátima Magalhães Albuquerque Silva.
Antes disso, Toledo já havia perdido o cargo de delegado, em outubro de 2013, por decisão do então governador Antonio Anastasia. A exoneração, porém, não ocorreu em razão direta da morte de Amanda.
A perda do cargo foi resultado de uma punição administrativa aplicada pela Corregedoria por infrações disciplinares consideradas graves, cometidas entre 2005 e 2007.
Na época, Toledo comandava a Delegacia de Trânsito (Detran) de Betim. Segundo o processo disciplinar, ele havia autorizado o registro e o licenciamento irregular de motocicletas que apresentavam adulterações nos chassis e motores.





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