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IFMG cria observatório para acompanhar custo de vida e alimentação em Ouro Preto

Pesquisa acompanhará mensalmente os preços dos alimentos em supermercados e comércios da cidade; primeiros resultados serão divulgados em novembro

Foto de Rodolpho Bohrer
comunicacao@maisminas.org

Quanto custa a cesta básica em Ouro Preto? Quanto do salário mínimo é necessário para comprar os alimentos essenciais? Essas são algumas das perguntas que uma nova pesquisa do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), Campus Ouro Preto, pretende responder a partir de novembro de 2026.

O projeto, denominado Observatório Socioeconômico da Cesta Básica, Segurança Alimentar e Poder de Compra das Famílias em Ouro Preto, vai acompanhar os preços dos alimentos comercializados no município e produzir indicadores sobre o impacto dessas despesas no orçamento familiar.

A iniciativa foi selecionada pelo Edital nº 715/2026, que prevê financiamento para projetos de pesquisa do próprio campus. O trabalho começou em setembro de 2026 e terá duração até agosto de 2027, sob coordenação do professor Cláudio Vita, da Coordenadoria de Matemática (Codamat).

Também participam da pesquisa as estudantes Angelina Vieira Ribeiro e Isabella de Oliveira Lourenço, bolsistas de iniciação científica.

A proposta é criar uma base de dados específica de Ouro Preto, permitindo acompanhar as mudanças nos preços dos alimentos ao longo dos meses e identificar quanto da renda dos trabalhadores é destinado à alimentação.

Pesquisa vai comparar preços em supermercados e mercados de bairro

Para calcular o custo da cesta básica, os pesquisadores utilizarão como referência a metodologia do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com adaptações às características do comércio local.

O levantamento será realizado periodicamente em estabelecimentos selecionados de Ouro Preto, incluindo supermercados, mercados de bairro e pequenos comércios.

Os preços coletados permitirão calcular o valor necessário para adquirir os alimentos considerados na pesquisa e acompanhar as alterações de um mês para outro.

Além de informar o custo total da cesta básica, o observatório pretende apresentar indicadores que ajudem a entender o peso da alimentação sobre a renda dos moradores.

Entre os dados que serão acompanhados estão:

  • Preço da cesta básica: valor mensal necessário para comprar os alimentos pesquisados.
  • Variação dos preços: quanto os produtos ficaram mais caros ou mais baratos em relação ao mês anterior.
  • Comprometimento do salário mínimo: percentual da remuneração necessário para adquirir a cesta.
  • Tempo de trabalho: quantidade de horas de trabalho necessárias para pagar pelos alimentos.
  • Poder de compra: acompanhamento da relação entre o preço dos produtos e a renda considerada na pesquisa.

O projeto também desenvolverá o Índice de Comprometimento Alimentar Familiar (ICAF), indicador criado para medir a parcela do salário mínimo comprometida com a compra da cesta básica.

Com esses dados, será possível observar, por exemplo, se uma eventual redução no preço de determinados alimentos representa uma diminuição significativa no custo total da cesta ou se aumentos em outros produtos acabam compensando essa queda.

O levantamento também permitirá acompanhar o comportamento dos preços ao longo do período pesquisado, criando um histórico que poderá ser utilizado em análises futuras.

A pesquisa não informou, até o momento, a lista definitiva dos produtos que integrarão a cesta nem os estabelecimentos que participarão do levantamento.

Primeiros resultados serão divulgados em novembro

A população de Ouro Preto poderá acompanhar os resultados por meio de boletins mensais, cuja divulgação está prevista para começar na primeira quinzena de novembro de 2026.

As publicações apresentarão os preços atualizados dos alimentos, a variação mensal do custo da cesta básica e o percentual do salário mínimo necessário para adquirir os produtos.

Também serão divulgados indicadores relacionados ao poder de compra das famílias e à segurança alimentar, permitindo acompanhar como as mudanças nos preços podem afetar o orçamento doméstico.

A intenção é disponibilizar informações que possam ser utilizadas por moradores, pesquisadores, jornalistas, gestores públicos e outras pessoas interessadas na economia local.

Os dados poderão contribuir para discussões sobre o custo de vida em Ouro Preto, especialmente em relação à capacidade das famílias de manter uma alimentação adequada diante das despesas mensais.

Além dos boletins, o projeto prevê a elaboração de relatórios técnicos e trabalhos científicos com os resultados obtidos durante o período de execução.

A participação das duas bolsistas também faz parte dos objetivos da iniciativa. As estudantes atuarão em atividades de coleta, organização e análise dos dados, desenvolvendo conhecimentos relacionados à pesquisa científica.

Com o observatório, o IFMG pretende aproximar a produção acadêmica de questões presentes no cotidiano da população de Ouro Preto.

Ao final do período de pesquisa, previsto para agosto de 2027, a expectativa é que o município disponha de um conjunto organizado de informações sobre a evolução do preço dos alimentos e sua relação com o poder de compra das famílias.

Sobre o autor Rodolpho Bohrer

Sócio-proprietário e fundador do Mais Minas e jornalista em formação pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Redator de cidades, tecnologia e política, além de link builder na Agência MaisPost. Em 2026, foi um dos repórteres vencedores do prêmio estadual "Tributação e Justiça Social", promovido pelo Sindicatos dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (SINJORBA).

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