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CÂMARA DE MARIANA

Estudo nacional aponta mais de 9 bilhões de toneladas de recursos de ferro em Mariana

Volume se refere a recursos estimados, medida utilizada para indicar a quantidade de material mineral identificada por estudos geológicos

Foto de Rodolpho Bohrer
comunicacao@maisminas.org

Mariana aparece com mais de 9 bilhões de toneladas de recursos estimados de minério de ferro em um levantamento publicado em 2026 pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB). O volume coloca a região entre os grandes destaques do país quando o assunto é a quantidade de minério identificada.

O dado faz parte do Panorama do Potencial de Minerais Críticos e Estratégicos do Brasil, documento que reúne informações sobre as riquezas minerais existentes no território brasileiro. A publicação analisa minerais importantes para a economia e para a indústria, entre eles ferro, ouro, lítio, cobre, nióbio, grafita e terras raras.

Na parte dedicada ao minério de ferro, uma tabela apresenta os principais depósitos brasileiros. Na linha identificada como Mariana, aparecem Fazendão, Alegria, Fábrica Nova e Capanema, sob responsabilidade da Vale. Para esse conjunto, o levantamento aponta 9.066,2 milhões de toneladas, o equivalente a cerca de 9,1 bilhões de toneladas, com teor médio de ferro de 41,29%.

O que significam os 9 bilhões de toneladas

O número não quer dizer que existam 9 bilhões de toneladas de ferro puro prontas para serem retiradas. O levantamento fala em recursos estimados, expressão usada para indicar a quantidade de material mineral que estudos geológicos apontam existir naquela área.

Também existe diferença entre recurso e reserva. De forma simplificada, uma reserva corresponde à parcela do recurso que já passou por avaliações mais detalhadas sobre as condições para seu aproveitamento. Por isso, o dado do SGB deve ser apresentado como recurso estimado, exatamente como aparece no documento.

O próprio levantamento não informa, nessa tabela, quanto dos 9,1 bilhões de toneladas corresponde separadamente a cada uma das minas incluídas sob o nome Mariana. Também não detalha nessa passagem a distribuição geográfica desse volume.

O que significa o teor de 41,29%

Outro número apresentado pelo estudo é o teor de 41,29% de ferro. O teor indica quanto ferro está presente, em média, no material.

Isso ajuda a entender por que apenas comparar o tamanho dos depósitos não conta toda a história. Há locais com menos minério identificado, mas com concentração maior de ferro.

Em Serra Norte, no Pará, por exemplo, o levantamento aponta 3,286 bilhões de toneladas de recursos e teor de 65,65%. Em Serra Sul, onde estão os corpos S11D e S11C, são 4,414 bilhões de toneladas, com teor de 65,44%.

Mariana, portanto, chama atenção principalmente pelo grande volume de recursos estimados, superior a 9 bilhões de toneladas.

Brasil é um dos gigantes mundiais do minério

Levantamento sobre riquezas minerais do Brasil aponta mais de 9 bilhões de toneladas de recursos em Mariana

O levantamento também ajuda a colocar os números de Mariana dentro do tamanho da mineração brasileira.

Em 2024, o Brasil produziu aproximadamente 440 milhões de toneladas de minério de ferro bruto e respondeu por cerca de 17,5% da produção mundial. O país ficou atrás apenas da Austrália, ocupando a segunda posição entre os maiores produtores do planeta.

Quando consideradas as reservas nacionais, o Brasil aparece em terceiro lugar no mundo, atrás de Austrália e Rússia. O levantamento cita uma estimativa internacional de aproximadamente 34 bilhões de toneladas de reservas brasileiras. A Agência Nacional de Mineração trabalha com um número maior, de 58,2 bilhões de toneladas, devido às diferenças na forma como esses dados são classificados.

O minério de ferro também é o principal produto da mineração brasileira em valor. Segundo o SGB, respondeu por 56% da receita mineral do país em 2024. Em 2025, foram exportadas 432,61 milhões de toneladas, tendo a China como principal mercado.

Levantamento reúne potencial mineral brasileiro

O Panorama do Potencial de Minerais Críticos e Estratégicos do Brasil foi produzido pelo Serviço Geológico do Brasil para reunir em uma mesma publicação informações sobre produção, reservas, depósitos e potencial mineral do país.

O documento utiliza informações de diferentes fontes e apresenta mapas, tabelas e dados sobre algumas das principais riquezas minerais brasileiras. Segundo o próprio SGB, a publicação foi elaborada para servir de referência a governos, empresas, pesquisadores e outras instituições interessadas no setor mineral.

No caso do ferro, o estudo mostra que a maior parte dos recursos brasileiros está concentrada em duas grandes regiões minerais, Carajás, no Pará, e o Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais.

Sobre o autor Rodolpho Bohrer

Sócio-proprietário e fundador do Mais Minas e jornalista em formação pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Redator de cidades, tecnologia e política, além de link builder na Agência MaisPost. Em 2026, foi um dos repórteres vencedores do prêmio estadual "Tributação e Justiça Social", promovido pelo Sindicatos dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (SINJORBA).

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