A Chery, fabricante chinesa que vem ampliando sua presença no Brasil, estuda lançar uma picape média híbrida plug-in a diesel, a Stockman, tornando-se a primeira do segmento no país a misturar motorização a diesel com sistema elétrico. O modelo, que já é vendido em mercados como Austrália, possui características inovadoras que podem conquistar o público brasileiro que busca tecnologia e eficiência energética no segmento das picapes.

A entrada da picape no Brasil depende da viabilidade de produção local, segundo a própria Chery. Atualmente, a montadora tem parceria com a Caoa para a produção nacional dos SUVs Tiggo, em Anápolis (GO), mas a Stockman deverá ser produzida pela Chery diretamente, antecipando negociações para assumir a fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia (RJ), fechada desde julho de 2023. Esse fato mostra a intenção da empresa de consolidar sua produção nacional para veículos comerciais.
A produção local é fundamental para adequar o veículo às exigências brasileiras, principalmente regulatórias. Por exemplo, a legislação brasileira exige que veículos comerciais tenham capacidade mínima de carga útil de 1 tonelada. Atualmente, a Stockman oferece capacidade de 765 kg, insuficiente para o mercado nacional. A marca está desenvolvendo uma variante da picape com capacidade para 1.000 kg, que deverá ser apresentada em breve, algo necessário para atender às regras do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e agências reguladoras ambientais.
Características técnicas da Stockman

A Stockman combina um motor diesel 2.5 biturbo produzido na Itália, que gera potência de aproximadamente 476 cv e torque de 81,5 kgfm, com um sistema híbrido plug-in (PHEV, do inglês plug-in hybrid electric vehicle), que permite autonomia de até 100 km no modo completamente elétrico, conforme padrão NDEC. Isso se traduz em consumo combinado que pode alcançar a marca impressionante de 50 km/l, muito superior ao de picapes a diesel tradicionais no mercado brasileiro.
Outro destaque do modelo é sua estrutura robusta, montada sobre chassi de longarinas, com suspensão traseira por feixe de molas, ideal para resistência e estabilidade em terrenos difíceis, além de capacidade para até 3.495 kg no reboque. As dimensões da picape são avantajadas, com 5,45 metros de comprimento, 2,01 metros de largura, 1,89 metro de altura e entre-eixos de 3,25 metros.
O modelo também traz uma lista completa de equipamentos de conforto e segurança, como bancos dianteiros aquecidos e ventilados, ar-condicionado de duas zonas, sistema de som premium, carregamento sem fio para smartphones, controle eletrônico de descida, pneus para uso off-road e bloqueios de diferencial (central e traseiro) para melhorar o desempenho fora de estrada.
Contexto do mercado brasileiro de picapes e relevância
No Brasil, o segmento de picapes médias é um dos mais competitivos e valorizados, com modelos consolidados como Toyota Hilux, Chevrolet S10, Ford Ranger e Volkswagen Amarok. A chegada da Stockman, se confirmada, significa uma expansão da oferta, especialmente com motorização híbrida a diesel, uma inovação no mercado nacional ainda restrito a modelos híbridos flex (que usam gasolina/etanol) ou totalmente elétricos em segmentos menores.
A proposta híbrida plug-in a diesel pode atrair o público que busca veículos comerciais econômicos, com menor emissão de poluentes e custos operacionais reduzidos, além de bom desempenho em áreas rurais e de trabalho, onde o diesel ainda é predominante. A possibilidade de produção nacional deve facilitar a competitividade de preço e o atendimento às necessidades específicas dos consumidores brasileiros.
Além da Stockman, a Chery planeja ampliar sua linha híbrida no Brasil, com modelos flex híbridos sob as marcas Omoda, Jaecoo e Lepas, reforçando sua estratégia de eletrificação e foco em sustentabilidade, pontos cada vez mais valorizados pelo consumidor.
Perspectivas futuras
A confirmação oficial do lançamento da Stockman no Brasil ainda depende dos estudos finais de viabilidade e das adaptações necessárias para o mercado brasileiro, especialmente em relação à capacidade de carga e à produção local. A negociação para assumir a fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia pode ser o passo decisivo para assegurar essa produção.
Se o projeto avançar, a Chery pode se tornar uma das primeiras marcas a oferecer uma picape híbrida a diesel no Brasil, inovando no segmento e abrindo caminho para outras fabricantes adotarem tecnologias similares, contribuindo para a renovação da frota comercial brasileira com veículos mais sustentáveis e eficientes.








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