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Lula é eleito presidente do Brasil pela quarta vez; relembre a trajetória do petista

Aos 80 anos, Luiz Inácio Lula da Silva venceu Flávio Bolsonaro no segundo turno e voltará ao Palácio do Planalto em 2027. Da infância em Pernambuco às greves do ABC, sua história política atravessou derrotas, dois mandatos seguidos, prisão, decisões do STF e o retorno à Presidência.

Foto de Rodolpho Bohrer
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Lula é eleito presidente do Brasil pela quarta vez; relembre a trajetória do petista
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Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito presidente da República pela quarta vez neste domingo (25). No resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral, recebeu 64,2 milhões de votos, 51,74% dos válidos, contra 59,8 milhões de Flávio Bolsonaro (PL). O novo mandato começa em 1º de janeiro de 2027. O TSE proclamou oficialmente o resultado.

A vitória completa um percurso incomum na política brasileira. Antes de chegar ao Planalto, Lula foi trabalhador metalúrgico, dirigente sindical e deputado constituinte. Perdeu três eleições presidenciais, venceu outras quatro e passou 580 dias preso antes de recuperar os direitos políticos por decisões do Supremo Tribunal Federal.

  • 4 eleições presidenciais vencidas: 2002, 2006, 2022 e 2026.
  • 80 anos: completados em 27 de outubro de 2025.
  • 3 derrotas presidenciais: antes da primeira vitória.
  • 64,2 milhões de votos: recebidos no segundo turno de 2026.

Uma trajetória em movimento

Selecione abaixo um ano para acompanhar os principais momentos da vida de Lula. A linha do tempo destaca mudanças pessoais e políticas que ajudam a entender como um líder sindical se tornou o presidente brasileiro com quatro mandatos conquistados pelo voto direto.

Navegue pela linha do tempo:

1945 · 1952 · 1975 · 1980 · 1986 · 1989 · 2002 · 2006 · 2018 · 2021 · 2022 · 2023 · 2026

1945 · Nascimento em Pernambuco

Lula nasce em Garanhuns, no Agreste pernambucano, em 27 de outubro.

1952 · Migração para São Paulo

A família deixa Pernambuco em busca de trabalho e melhores condições de vida.

1975 · Liderança sindical

É eleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema.

1980 · Fundação do PT

Participa da fundação do Partido dos Trabalhadores, após ser preso durante uma greve.

1986 · Deputado constituinte

Eleito por São Paulo, participa da Assembleia Nacional Constituinte.

1989 · Primeira candidatura presidencial

Chega ao segundo turno contra Fernando Collor. Perderia também em 1994 e 1998.

2002 · Primeira vitória presidencial

Na quarta tentativa, vence José Serra e é eleito presidente.

2006 · Reeleição

Vence Geraldo Alckmin no segundo turno e conquista um segundo mandato.

2018 · Prisão

É preso após condenação no caso do tríplex e fica detido por 580 dias.

2021 · Decisões do STF

O Supremo anula as condenações por incompetência da vara de Curitiba e reconhece a parcialidade de Moro no caso do tríplex.

2022 · Retorno à Presidência

Vence Jair Bolsonaro no segundo turno e conquista sua terceira eleição presidencial.

2023 · Terceiro mandato

Toma posse ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin.

2026 · Quarta vitória

Vence Flávio Bolsonaro no segundo turno e é eleito para o mandato de 2027 a 2030.

Da migração ao chão de fábrica

Luiz Inácio nasceu em Garanhuns, Pernambuco, em 27 de outubro de 1945. Em 1952, Dona Lindu partiu com os filhos rumo a São Paulo. A viagem durou dias em um caminhão conhecido como “pau de arara”. A família passou pelo litoral paulista e se fixou na região metropolitana, acompanhando o fluxo de migrantes que buscavam trabalho e melhores condições de vida. A biografia oficial da Presidência registra essa mudança.

Na adolescência, Lula trabalhou como engraxate, vendedor e auxiliar. Fez curso de torneiro mecânico e entrou na indústria metalúrgica. Em 1964, sofreu um acidente de trabalho e perdeu o dedo mínimo da mão esquerda. A experiência nas fábricas e a convivência com trabalhadores formariam o cenário de sua entrada na vida sindical.

As greves do ABC e a fundação do PT

Em 1975, Lula foi eleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. Sua liderança ganhou projeção nacional no fim da década, quando greves de trabalhadores desafiaram a política salarial e as restrições à organização sindical impostas pela ditadura militar. As mobilizações reuniram milhares de metalúrgicos e ajudaram a impulsionar um novo sindicalismo, com assembleias de massa e negociação coletiva.

Durante uma greve em 1980, Lula e outros dirigentes foram presos com base na Lei de Segurança Nacional. No mesmo ano, ele participou da fundação do Partido dos Trabalhadores, ao lado de sindicalistas, intelectuais e representantes de movimentos sociais. Em 1983, também esteve entre os protagonistas da criação da Central Única dos Trabalhadores.

A campanha Diretas Já, em 1984, levou multidões às ruas para exigir eleições diretas para presidente. A emenda não foi aprovada naquele momento, mas a mobilização marcou o processo de redemocratização. Em 1986, Lula foi eleito deputado federal constituinte por São Paulo, com a maior votação do país naquele pleito, e participou da Assembleia responsável pela Constituição de 1988.

Quatro tentativas até o Planalto

1989 · A primeira disputa

Na primeira eleição direta para presidente após a ditadura, Lula chegou ao segundo turno contra Fernando Collor de Mello e terminou em segundo lugar.

1994 e 1998 · Duas derrotas

Lula voltou a concorrer, mas foi derrotado por Fernando Henrique Cardoso nas duas eleições, ambas decididas no primeiro turno.

2002 · A primeira vitória

Na quarta tentativa, derrotou José Serra no segundo turno. A campanha ampliou alianças e enfatizou a estabilidade econômica; o empresário José Alencar foi escolhido para vice.

2006 · Reeleição

Mesmo após a crise do mensalão, Lula venceu Geraldo Alckmin no segundo turno e conquistou um segundo mandato consecutivo.

A vitória de 2002 veio depois de uma mudança na estratégia eleitoral e na formação de alianças. O vice José Alencar, empresário do setor têxtil e filiado ao PL, ajudou a aproximar a chapa de setores que tinham reservas em relação ao PT. Lula derrotou José Serra no segundo turno e tomou posse em janeiro de 2003.

Os governos de 2003 a 2010

O primeiro governo consolidou o Bolsa Família, que unificou programas de transferência de renda e vinculou o benefício a compromissos de saúde e educação. Também lançou o Fome Zero e criou políticas de ampliação do acesso ao ensino superior, como o ProUni. O período coincidiu com a valorização internacional de produtos exportados pelo Brasil e com a expansão do consumo interno, fatores que contribuíram para o crescimento econômico.

Em 2005, denúncias de pagamento a parlamentares, conhecidas como mensalão, provocaram uma crise política e levaram a investigações e julgamentos. Lula negou ter conhecimento do esquema. No ano seguinte, foi reeleito. O segundo mandato teve crescimento econômico, expansão de programas sociais e obras do Programa de Aceleração do Crescimento, ao mesmo tempo que manteve controvérsias sobre alianças políticas, gestão e denúncias de corrupção.

Lula deixou a Presidência em 2010, após dois mandatos consecutivos. Apoiou Dilma Rousseff, eleita naquele ano e reeleita em 2014. O impeachment de Dilma, em 2016, encerrou o ciclo de governos petistas iniciado em 2003. Lula permaneceu fora de cargos públicos até a eleição de 2022.

Prisão, decisões judiciais e retorno eleitoral

Lula retornou à presidência do Brasil pela 3ª vez em 2023.
Lula retornou à presidência do Brasil pela 3ª vez em 2023. (Foto: Ricardo Stuckert)

Em 2017, Lula foi condenado no processo do tríplex do Guarujá, no âmbito da Lava Jato. A condenação foi confirmada em segunda instância e ele foi preso em abril de 2018. A prisão o impediu de concorrer naquele ano. Lula permaneceu detido por 580 dias.

Em 2021, o STF confirmou a anulação das condenações por entender que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar aqueles casos. Em decisão separada, a Segunda Turma do Supremo reconheceu a parcialidade do então juiz Sergio Moro no processo do tríplex, decisão posteriormente mantida pelo plenário. A anulação por incompetência foi uma decisão processual; não corresponde a uma declaração judicial de que todos os fatos investigados eram inexistentes. Veja a decisão sobre a competência e a decisão sobre a suspeição no caso do tríplex.

Com os direitos políticos restabelecidos, Lula concorreu em 2022. No segundo turno, venceu Jair Bolsonaro por 50,90% a 49,10% dos votos válidos. Tomou posse em janeiro de 2023 ao lado do vice Geraldo Alckmin, iniciando seu terceiro mandato presidencial.

2026: a virada e o quarto mandato

Lula é eleito presidente do Brasil pela quarta vez; relembre a trajetória do petista
Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito presidente do Brasil pela quarta vez e iniciará novo em janeiro de 2027.(Foto: Ricardo Stuckert)

Na eleição de 2026, Lula enfrentou Flávio Bolsonaro. O senador terminou o primeiro turno na frente, com 47,03% dos votos válidos, enquanto o presidente obteve 45,16%. Como nenhum candidato alcançou maioria absoluta, os dois disputaram o segundo turno em 25 de outubro. Os números do primeiro turno foram divulgados pelo TSE.

No segundo turno, Lula reverteu a diferença e foi eleito para um quarto mandato, com 64,2 milhões de votos e 51,74% dos válidos. É a quarta vitória presidencial de sua carreira, depois de 2002, 2006 e 2022. A posse está prevista para 1º de janeiro de 2027.

O novo mandato começa em um país dividido eleitoralmente e com desafios econômicos, sociais e políticos. Lula terá de conduzir a relação com um Congresso eleito em uma disputa polarizada e responder a cobranças sobre emprego, segurança pública, contas governamentais, pobreza e qualidade dos serviços. A eleição encerra uma campanha; o resultado concreto do quarto governo será medido pelas decisões e pelos efeitos nos próximos anos.

Fontes e checagem

Sobre o autor Rodolpho Bohrer

Sócio-proprietário e fundador do Mais Minas e jornalista em formação pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Redator de cidades, tecnologia e política, além de link builder na Agência MaisPost. Em 2026, foi um dos repórteres vencedores do prêmio estadual "Tributação e Justiça Social", promovido pelo Sindicatos dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (SINJORBA).

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