Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcançou a maior votação nominal da história das eleições presidenciais brasileiras neste domingo (25/10). Reeleito para um quarto mandato, o presidente ultrapassou 64 milhões de votos no segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL), superando o recorde que ele próprio havia estabelecido em 2022.

Às 21h41, com 99,91% das urnas totalizadas, Lula somava 64.185.535 votos, equivalentes a 51,77% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro aparecia com 59.796.463 votos, ou 48,23%. A diferença entre os candidatos era de aproximadamente 4,4 milhões de votos.
O resultado representa um novo marco em números absolutos desde a redemocratização. Em 2022, quando derrotou Jair Bolsonaro (PL), Lula havia recebido 60.345.999 votos, segundo os dados históricos reproduzidos pelo InfoMoney. A votação de 2026 superou aquela marca em aproximadamente 3,8 milhões de votos.
O crescimento também ocorreu em um cenário de ampliação do eleitorado brasileiro. O número de pessoas aptas a votar passou de cerca de 156,4 milhões em 2022 para mais de 158 milhões em 2026. Por isso, o recorde em votos absolutos não significa, necessariamente, que Lula tenha alcançado o maior percentual de votos válidos da história.
Lula supera votações de Bolsonaro, Dilma e Fernando Henrique
A marca de 2026 coloca Lula à frente de todos os candidatos que disputaram a Presidência da República no Brasil, considerando o número de votos recebidos em uma única eleição.
Antes do resultado deste domingo, o maior número pertencia ao próprio petista, com mais de 60,3 milhões de votos em 2022. Jair Bolsonaro havia recebido 58,2 milhões naquela disputa, depois de conquistar 57,7 milhões de votos na eleição de 2018.
Em 2006, quando foi reeleito para seu segundo mandato, Lula recebeu 58.295.042 votos, equivalentes a 60,83% dos votos válidos. O percentual foi superior ao registrado pelo presidente na eleição de 2026, embora a quantidade absoluta de votos tenha sido menor.
Dilma Rousseff (PT), eleita em 2010, recebeu 55.752.529 votos no segundo turno contra José Serra (PSDB). Quatro anos depois, conquistou a reeleição com 54.501.108 votos diante de Aécio Neves (PSDB).
Fernando Henrique Cardoso (PSDB), por sua vez, venceu as eleições de 1994 e 1998 ainda no primeiro turno, em um período no qual o eleitorado brasileiro era menor.
Com a vitória deste domingo, Lula também se tornou o primeiro brasileiro eleito quatro vezes para a Presidência pelo voto direto. Seus triunfos ocorreram em 2002, 2006, 2022 e 2026.
Recorde brasileiro não é o maior do mundo
Embora tenha estabelecido uma nova marca no Brasil, Lula não é o candidato presidencial mais votado da história mundial em números absolutos.
Na Indonésia, Prabowo Subianto recebeu 96.214.691 votos na eleição presidencial de 2024, conquistando 58,59% dos votos válidos. O resultado é confirmado pela base internacional ElectionGuide, mantida pela International Foundation for Electoral Systems (IFES), com informações da comissão eleitoral indonésia.
O país também registrou outra votação superior à brasileira em 2019, quando Joko Widodo conquistou aproximadamente 85,6 milhões de votos ao ser reeleito presidente.
Nos Estados Unidos, Joe Biden recebeu 81.281.502 votos na eleição de 2020, segundo o Guinness World Records. Na ocasião, derrotou Donald Trump, que também ultrapassou 74 milhões de votos.
Trump voltou a registrar votação superior a 77 milhões de votos em 2024, quando venceu Kamala Harris.
Esses resultados mostram que a votação de Lula está entre as maiores registradas em eleições presidenciais, mas não representa um recorde mundial.
As comparações internacionais também exigem considerar diferenças entre os sistemas eleitorais, o tamanho das populações e as regras de votação de cada país.
Vitória de Lula também marca virada entre os dois turnos
Além do recorde de votos, a eleição de 2026 apresentou outra particularidade. Pela primeira vez desde a redemocratização, um candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar conseguiu reverter o resultado e vencer a disputa presidencial.
Em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro havia recebido 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. No segundo turno, realizado três semanas depois, o petista passou à frente e garantiu a reeleição.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reconheceu a vitória de Lula às 21h08, quando 97,69% da apuração estava concluída.
A eleição também registrou redução da abstenção entre os dois turnos, de 21,08% para 19,21%, segundo informações divulgadas pela Agência Senado.
Com o resultado, Lula iniciará em 2027 seu quarto mandato presidencial, após ter governado o país entre 2003 e 2010 e retornado ao Palácio do Planalto em 2023.








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