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Relatório do Cenipa aponta condições meteorológicas e decisões operacionais em queda do helicóptero Arcanjo 4 em Ouro Preto

Acidente ocorrido em outubro de 2024 matou seis ocupantes do Arcanjo 4; investigação identificou decolagem com visibilidade abaixo do mínimo previsto e colisão com uma serra cerca de 56 segundos depois

Foto de Carlos Daniel
Carlos.daniel_9@hotmail.com

O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), divulgado em 28 de outubro de 2026, apontou condições meteorológicas adversas e decisões operacionais entre os fatores que contribuíram para a queda do helicóptero Arcanjo 4, do Corpo de Bombeiros, em Ouro Preto, na Região Central de Minas Gerais. O acidente aconteceu em 11 de outubro de 2024 e provocou a morte de seis pessoas: quatro integrantes da corporação, um médico e um enfermeiro do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Segundo o documento, a aeronave decolou com visibilidade horizontal estimada em 180 metros, abaixo do mínimo de um quilômetro previsto para aquele tipo de voo. A investigação também apontou avaliação inadequada dos riscos e a decisão de prosseguir com a decolagem apesar das condições meteorológicas.

Colisão ocorreu menos de um minuto após a decolagem

A sequência do acidente foi reconstruída a partir de dois vídeos, um gravado por uma pessoa em solo e outro feito por um dos ocupantes da aeronave. O helicóptero decolou de um trevo rodoviário por volta das 17h45 e iniciou uma trajetória de subida e deslocamento para a frente.

De acordo com o relatório, cerca de 30 segundos depois da partida, a tripulação perdeu o contato visual com o solo. Aos 55 segundos, a superfície rochosa apareceu repentinamente nas imagens. Aproximadamente um segundo depois, ocorreu o impacto contra a serra.

O Cenipa classificou o acidente como voo controlado contra o terreno, situação em que uma aeronave colide com o solo ou um obstáculo sem que os pilotos consigam perceber o perigo a tempo de evitar o impacto.

Equipe aguardou melhora do tempo antes de partir

Antes do acidente, o Arcanjo 4 havia atendido uma ocorrência envolvendo um avião monomotor que caiu na região. Após pousar em um trevo, o médico e o enfermeiro seguiram de viatura até o local da queda. A equipe constatou a morte do piloto do avião e retornou ao helicóptero.

Com a piora das condições meteorológicas, os ocupantes permaneceram em solo aguardando uma melhora do tempo. O comandante chegou a solicitar uma viatura para transportar parte da equipe de volta a Belo Horizonte. Segundo o relatório, a prática operacional previa que alguns integrantes permanecessem no local para guardar a aeronave, alternativa que teria causado desconforto ao comandante.

Quando a viatura chegou ao trevo, o helicóptero já havia decolado. Embora os investigadores tenham identificado uma melhora momentânea da visibilidade antes da partida, as condições continuavam abaixo do mínimo exigido. A proximidade do pôr do sol também pode ter influenciado a percepção de que aquela seria a última oportunidade de retornar por via aérea.

Investigação identificou falhas em treinamento e gestão

O relatório também examinou aspectos relacionados à preparação da tripulação e à organização do trabalho. Os dois pilotos não participaram do último ciclo de treinamento de gerenciamento de recursos da tripulação, realizado em 2023. A capacitação aborda comunicação, coordenação e tomada de decisões, mas, segundo o documento, a unidade não a tratava como obrigatória, apesar da exigência regulamentar.

Os investigadores registraram ainda que os pilotos acumulavam funções operacionais e administrativas. No caso do comandante, havia relatos de sinais compatíveis com possível estafa nos dias anteriores ao acidente. Entretanto, a participação de fatores como fadiga, treinamento, sobrecarga de tarefas e coordenação foi classificada como indeterminada, sem confirmação de que tenham contribuído diretamente para a ocorrência.

O Cenipa também não encontrou evidências de que o gerenciamento de riscos exigido para a unidade estivesse efetivamente implementado à época.

Cenipa recomenda medidas de prevenção

Entre as recomendações, o órgão orientou a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a compartilhar os aprendizados da investigação com outras unidades aéreas públicas, especialmente em relação aos treinamentos e à gestão de riscos. Também recomendou que a agência avalie a possibilidade de realizar auditorias nos sistemas de segurança dessas unidades.

Após o acidente, o Corpo de Bombeiros suspendeu temporariamente as operações aéreas e adotou medidas como reorganização das escalas, inclusão de uma psicóloga na equipe e revisão de procedimentos e treinamentos.

Sobre o autor Carlos Daniel

Natural de Mariana (MG), jornalista formado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e apaixonado por futebol. Atua com reportagem, produção audiovisual e criação de conteúdo.

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