A Viação Pássaro Verde reconheceu problemas na prestação do transporte intermunicipal em Minas Gerais e informou que sua frota chegou à idade média de dez anos. As declarações foram feitas durante audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), na quarta-feira (28/10), conforme noticiou o Diário do Comércio. A reunião discutiu reclamações sobre atrasos, manutenção dos veículos e segurança dos passageiros.

A procuradora da empresa, Rejane Suely de Sena Luberiaga, admitiu as dificuldades e apontou a pandemia e a concorrência com o transporte clandestino como fatores que prejudicaram os investimentos.
“Fazemos mea-culpa e estamos constrangidos, mas também temos elementos que resultaram nisso”, declarou.
A concessionária informou que opera aproximadamente 100 ônibus. Quatro veículos novos já foram destinados à região de Ouro Preto, enquanto outros nove deverão ser transferidos de empresas do mesmo grupo. Há ainda dez ônibus em fase de montagem das carrocerias.
Apesar das medidas anunciadas, a situação preocupa os órgãos fiscalizadores. Segundo o Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG), a Pássaro Verde acumulou 384 autos de infração entre janeiro e 20 de outubro de 2026.
O gerente de Fiscalização de Transporte e Trânsito do DER-MG, Eriênio Jaderson de Souza, reconheceu a gravidade da situação.
“De fato, o sistema de transporte está em colapso”, afirmou.
Passageiros relatam atrasos e problemas de segurança
Durante a audiência, usuários denunciaram ônibus em condições precárias, atrasos frequentes e falhas que colocariam a segurança das viagens em risco.
O advogado Rogério Fernandes relatou que, em junho, viajava de Belo Horizonte para Ouro Preto quando o compartimento de bagagens do ônibus se abriu na Serra de Itabirito, espalhando malas pela rodovia. Segundo ele, o veículo havia chegado com 50 minutos de atraso.
Também foram apresentadas reclamações envolvendo linhas que atendem Mariana, Catas Altas e Santa Bárbara. Entre as queixas estavam problemas de manutenção e situações de passageiros sem assentos disponíveis.
A presidenta do Conselho Municipal de Saúde de Mariana, Ailda Anacleto, cobrou mais segurança, especialmente para mulheres que ficam vulneráveis quando os ônibus apresentam defeitos nas estradas.
Assembleia fará vistoria na garagem da empresa
Em nota, a Pássaro Verde reconheceu os transtornos nas linhas Belo Horizonte–Ouro Preto e Belo Horizonte–Mariana. A empresa afirmou que já incorporou 12 veículos à operação, incluindo quatro ônibus novos, seis remanejados e dois reformados.
A concessionária também atribuiu parte dos atrasos ao aumento do trânsito na BR-356, agravado por obras e pelo deslocamento de veículos pesados de outras rodovias.
Segundo a empresa, foram transportados 126.617 passageiros na região durante o primeiro semestre, período em que recebeu aproximadamente 82 reclamações pelo serviço de atendimento ao consumidor.
A Comissão de Assuntos Municipais e Regionalização da ALMG aprovou uma visita à garagem da Pássaro Verde para 9 de novembro. A fiscalização deverá verificar as condições dos veículos e as medidas adotadas para melhorar o atendimento.
Uma nova audiência também deverá acompanhar as providências anunciadas pela concessionária.








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