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CÂMARA DE MARIANA

Expansão da mineração e chegada de até 15 mil trabalhadores gera debate na Câmara de Mariana

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Expansão da mineração e chegada de até 15 mil trabalhadores gera debate na Câmara de Mariana
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A perspectiva de expansão das atividades minerárias em Mariana e a possibilidade de milhares de trabalhadores serem mobilizados nos próximos anos levaram a Câmara Municipal a cobrar das empresas do setor um planejamento para os impactos sobre a cidade. Moradia, preços dos aluguéis, saneamento, saúde, educação, assistência social e contratação de mão de obra local estão entre as principais preocupações levantadas pelos vereadores.

O debate ocorre em um município onde a mineração tende a permanecer como atividade econômica de longo prazo. Um levantamento do Serviço Geológico do Brasil (SGB), noticiado pelo Mais Minas em 16 de setembro, aponta 9,066 bilhões de toneladas de recursos estimados de minério de ferro no conjunto identificado como Mariana. O volume ajuda a dimensionar a importância mineral da região, embora não signifique que todo esse material esteja disponível para extração imediata.

Na reunião da Câmara de segunda-feira (21), o vereador Ronaldo Bento apresentou requerimento para que representantes das mineradoras e do Executivo municipal discutam como Mariana deverá se preparar para uma nova fase de expansão do setor.

Durante o debate, parlamentares mencionaram uma perspectiva de até 15 mil trabalhadores diretos e indiretos envolvidos nas atividades de mineração. O número não significa, necessariamente, que 15 mil novos moradores chegarão à cidade. É justamente a dimensão desse movimento, incluindo quantos profissionais virão de outros municípios e quantos permanecerão em Mariana, que os vereadores querem esclarecer.

Pressão sobre os aluguéis preocupa a Câmara

Um dos principais receios está no mercado imobiliário. A entrada de um grande contingente de trabalhadores pode elevar rapidamente a procura por casas, apartamentos e alojamentos, com reflexos nos preços pagos pelos próprios moradores.

Ronaldo Bento relembrou momentos anteriores de expansão da mineração em que foram construídos conjuntos habitacionais para receber trabalhadores. Para o vereador, as empresas precisam participar da preparação da cidade e apresentar contrapartidas capazes de reduzir os impactos provocados pelo crescimento de suas operações.

Fernando Sampaio também chamou atenção para um efeito que vai além do valor dos aluguéis. Casas originalmente ocupadas por poucas pessoas podem passar a receber grupos maiores de trabalhadores, aumentando o consumo de água e a geração de esgoto em áreas cuja infraestrutura não foi dimensionada para esse crescimento.

O vereador alertou ainda que uma alta acentuada dos preços dos imóveis pode dificultar a permanência de famílias na cidade e ampliar a procura por moradias em áreas sem infraestrutura adequada.

Saúde, educação e outros serviços também podem sentir efeitos

A preocupação dos parlamentares se estende aos serviços públicos. Uma população flutuante maior pode aumentar a demanda por atendimento de saúde, transporte, assistência social e outros serviços municipais.

Por isso, Ronaldo Bento defendeu a elaboração de um plano envolvendo Prefeitura, Câmara e mineradoras. A proposta é conhecer antecipadamente a dimensão da expansão e evitar que seus efeitos sejam tratados somente depois de aparecerem.

O requerimento não se restringe à Samarco. A discussão envolve outras empresas com atuação minerária na região, entre elas Vale, Cedro Mineração, Mineração Ducal, Roca Mineração e MG Mineração de Tombos.

Zé Sales apoiou a iniciativa e defendeu que representantes das empresas sejam chamados novamente à Câmara para detalhar os projetos e as medidas previstas diante do aumento das atividades.

Vereadores querem mais moradores nas novas vagas

Outro ponto discutido foi a origem da mão de obra empregada pelas mineradoras e prestadoras de serviço. Durante a reunião, um dos parlamentares mencionou uma empresa com aproximadamente 1.400 trabalhadores, dos quais cerca de mil seriam provenientes de outros municípios.

A informação foi apresentada durante o debate, sem que fossem divulgados documentos que permitam verificar os números. O exemplo foi utilizado para defender investimentos em qualificação profissional da população de Mariana, de forma que uma parcela maior das oportunidades geradas pela expansão econômica possa ser ocupada por moradores.

A discussão ganha importância porque a chegada de trabalhadores de fora produz efeitos diferentes daqueles gerados pela contratação local. Além da movimentação econômica, um contingente maior de pessoas residindo temporária ou permanentemente no município aumenta a procura por imóveis e serviços.

Mariana aparece entre os grandes depósitos de minério de ferro

A discussão sobre o futuro da mineração ocorre poucos dias depois da divulgação, pelo Mais Minas, dos dados do Panorama do Potencial de Minerais Críticos e Estratégicos do Brasil, produzido pelo Serviço Geológico do Brasil.

Na tabela dedicada ao minério de ferro, o conjunto identificado como Mariana aparece com 9.066,2 milhões de toneladas de recursos estimados, aproximadamente 9,1 bilhões de toneladas, e teor médio de ferro de 41,29%.

O dado se refere a recursos minerais estimados. Isso significa que estudos geológicos indicam a existência desse material, mas o número não corresponde a uma reserva pronta para ser integralmente explorada. Para que uma parcela seja classificada como reserva, são necessárias avaliações mais detalhadas sobre as condições técnicas e econômicas de aproveitamento.

O teor de 41,29%, por sua vez, indica a concentração média de ferro presente no material considerado pelo levantamento.

O estudo do SGB também mostra a dimensão do minério de ferro para a economia brasileira. O produto respondeu por 56% da receita mineral do país em 2024. Em 2025, o Brasil exportou 432,61 milhões de toneladas, tendo a China como principal destino.

A maior concentração dos recursos brasileiros está em duas grandes províncias minerais: Carajás, no Pará, e o Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, região da qual Mariana faz parte.

Os dados geológicos não permitem concluir quantos empregos serão criados em Mariana nem em que ritmo novas operações poderão avançar. Eles mostram, entretanto, que o município está inserido em uma região com recursos minerais de grande escala, o que reforça a discussão sobre como preparar a cidade para ciclos de expansão da atividade.

É nesse ponto que os vereadores querem antecipar o debate. A preocupação manifestada na Câmara é evitar que crescimento da produção e geração de empregos sejam acompanhados por problemas de moradia, encarecimento do custo de vida e sobrecarga da infraestrutura municipal.

Marcelo Macedo também levou ao debate a participação do Legislativo nas decisões relacionadas à mineração e à reparação do desastre do Rio Doce. O vereador criticou a ausência da Câmara em discussões envolvendo recursos destinados a Mariana e defendeu que o dinheiro disponível seja direcionado a projetos estruturantes.

Mineradoras deverão ser chamadas para reunião

Ao final da discussão, o requerimento apresentado por Ronaldo Bento foi aprovado por unanimidade. A finalidade é reunir representantes das mineradoras, do Executivo e do Legislativo para que sejam apresentadas informações sobre os projetos de expansão, estimativas de mão de obra e medidas previstas para absorver os impactos.

A reunião ainda será agendada pela Presidência da Câmara.

Entre as respostas esperadas estão o número de trabalhadores que efetivamente poderá ser mobilizado, a parcela de contratações locais, a necessidade de alojamentos e as medidas relacionadas a moradia, saneamento e demais serviços.

Sobre o autor Rodolpho Bohrer

Sócio-proprietário e fundador do Mais Minas e jornalista em formação pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Redator de cidades, tecnologia e política, além de link builder na Agência MaisPost. Em 2026, foi um dos repórteres vencedores do prêmio estadual "Tributação e Justiça Social", promovido pelo Sindicatos dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (SINJORBA).

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