Os golpes digitais provocaram perdas financeiras de R$ 21,2 bilhões entre brasileiros, segundo o relatório “O Estado dos Golpes no Brasil 2026″, elaborado pela Global Anti-Scam Alliance (GASA). O estudo estima que 16,5 milhões de pessoas tiveram prejuízos financeiros diretamente relacionados a fraudes virtuais.

O levantamento aponta ainda que cada adulto brasileiro foi alvo, em média, de 201,6 tentativas de golpe durante os 12 meses encerrados em fevereiro de 2026. Ao todo, a estimativa ultrapassa 34 bilhões de abordagens criminosas no período.
A pesquisa ouviu cerca de mil pessoas no Brasil e analisou o cenário dos golpes digitais em mais de 40 países. Entre os entrevistados brasileiros, 81% afirmaram ter sido abordados por golpistas. Desse grupo, 39% chegaram a interagir com os criminosos e, entre aqueles que tiveram algum tipo de interação, aproximadamente um em cada quatro relatou perda financeira ou comprometimento de dados pessoais.
Golpes chegam principalmente por mensagens e ligações
As ligações telefônicas e os aplicativos de mensagens aparecem como os principais meios utilizados pelos criminosos, concentrando 71% dos casos relatados na pesquisa. O WhatsApp foi citado em 64% das situações, seguido pelo Gmail, com 32%, pelo Instagram, com 22%, e pelo YouTube, com 6%.
Entre as abordagens mais comuns estão anúncios falsos de compras pela internet, mencionados por 22% dos entrevistados, além de ofertas inesperadas de dinheiro e falsas oportunidades de emprego, ambas citadas por 17%.
Dificuldade para identificar fraudes
O levantamento também aponta dificuldades dos brasileiros para reconhecer uma tentativa de golpe. 41% dos entrevistados afirmaram ter dificuldade para identificar uma fraude, enquanto 40% disseram que só perceberam que haviam sido vítimas depois de receber um alerta de terceiros ou de uma instituição financeira.
De acordo com Renata Salvini, diretora da GASA no Brasil, os números indicam a necessidade de ações integradas para enfrentar o problema. Segundo ela, a repetição de casos entre as mesmas pessoas demonstra a existência de um ciclo de vulnerabilidade que precisa ser combatido com educação e mecanismos de bloqueio.
O relatório aponta ainda que apenas 20% das vítimas conseguiram recuperar total ou parcialmente o dinheiro perdido.
Impacto vai além do prejuízo financeiro
As consequências dos golpes não se restringem às perdas econômicas. Segundo a pesquisa, 76% das pessoas afetadas relataram impactos moderados ou graves no bem-estar emocional, incluindo ansiedade e desconfiança.
O prejuízo médio foi estimado em R$ 1.287 por vítima. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban), citada no levantamento, estima que as instituições financeiras investem cerca de R$ 5 bilhões por ano em mecanismos de proteção e combate às fraudes.
O estudo também destaca a importância de registrar formalmente os golpes junto às autoridades e às plataformas digitais. A medida pode contribuir para a retirada de perfis falsos, identificação de padrões utilizados pelos criminosos e prevenção de novas vítimas.







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