O 23º Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais registrou um recorde de participação em 2026, com 1.982 amostras inscritas. Promovida pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), a competição reúne produtores do Cerrado Mineiro, Chapada de Minas, Matas de Minas e Sul de Minas. Os vencedores serão conhecidos em dezembro, durante cerimônia em Belo Horizonte.

A agricultura familiar tem participação expressiva nesta edição. Segundo levantamento da Emater-MG, 73% das propriedades participantes possuem até 10 hectares. O concurso busca valorizar a produção mineira, incentivar a melhoria da qualidade dos grãos e ampliar as oportunidades de comercialização dos cafés especiais.
As amostras inscritas já passaram pela análise física e estão na fase de avaliação sensorial, que considera características como aroma, sabor, acidez, corpo, doçura, equilíbrio e finalização da bebida.
Ao término dessa etapa, a previsão é selecionar 240 amostras para a fase seguinte. Conforme o regulamento, somente os cafés com pontuação superior a 85 pontos, em uma escala de 100, poderão avançar na competição.
A avaliação utiliza a metodologia da Specialty Coffee Association (SCA), referência internacional na classificação de cafés especiais. Os grãos também precisam atender aos critérios físicos estabelecidos pela organização, incluindo limites de defeitos, tamanho e umidade.
Como funciona o Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais
A competição é destinada a produtores de café arábica cultivado e colhido em Minas Gerais durante 2026. Cada cafeicultor pode participar com uma amostra, inscrita em apenas uma das duas categorias previstas no regulamento.
Na categoria Café Natural, os grãos são submetidos à secagem após a colheita, com ou sem lavagem prévia. Já a categoria Café Cereja Descascado, Despolpado ou Desmucilado reúne cafés que passam por processos de retirada da casca e, conforme o método utilizado, da mucilagem antes da secagem.
Para participar, as amostras deveriam atender à classificação oficial brasileira do café tipo 2, com no máximo quatro defeitos, apresentar umidade entre 10% e 12% e respeitar as exigências de peneiramento. O regulamento também determina que a lavoura de origem seja georreferenciada e que a cultivar seja identificada.
Cada amostra inicial deveria conter pelo menos dois quilos de café beneficiado, representando um lote de cinco sacas de 60,5 quilos. Os produtores classificados para a etapa final poderão ter seus lotes submetidos a uma nova coleta, acompanhada por extensionistas da Emater-MG.
As avaliações são realizadas por uma comissão julgadora formada por pelo menos oito profissionais responsáveis pela classificação dos cafés. As amostras são identificadas por códigos e encaminhadas lacradas para análise.
A seleção dos cafés ocorre entre 15 de setembro e 30 de novembro. A cerimônia de premiação está prevista para 10 de dezembro, em Belo Horizonte, conforme as informações divulgadas pela Emater-MG.
Premiação terá campeões regionais e reconhecimento para mulheres produtoras
O regulamento prevê a premiação dos três primeiros colocados de cada uma das quatro regiões produtoras, nas duas categorias. Ao todo, serão 24 posições premiadas regionalmente, com certificados e troféus.
O café que alcançar a maior pontuação geral, independentemente da categoria, receberá o título de Grande Campeão Estadual.
A competição também prevê um diploma para o melhor café produzido por uma mulher cafeicultora, desde que esteja entre os 24 melhores classificados das quatro regiões. Outra premiação será destinada ao produtor certificado pelo programa Certifica Minas Café que obtiver a maior nota entre esses classificados.
O Sistema Sicoob Crediminas oferecerá ainda um prêmio especial aos primeiros colocados de cada categoria que sejam correntistas de cooperativas integrantes do sistema.
Café de Alto Jequitibá alcançou nota histórica em 2025
Na edição de 2025, o título de Grande Campeão Estadual ficou com o agricultor familiar João Pedro Emerick Ramos, de Alto Jequitibá, na região das Matas de Minas.
O café produzido por ele, na categoria Cereja Descascado, recebeu 93,2 pontos, a maior nota registrada na história do concurso até aquela edição.
João Pedro tinha 24 anos quando conquistou o título e cultivava café em uma área de 20 hectares, com assistência técnica da Emater-MG. A produção era conduzida em conjunto com os pais e a irmã.
“Desde 2019 a gente começou a mexer com café especial. Lá é tudo agricultura familiar. Sou eu, meus pais, minha irmã. Trabalhamos todos juntos. É muita dedicação, amor, trabalho, carinho. A gente tem que fazer tudo com excelência”, declarou o produtor após a premiação.
Além do reconhecimento, João Pedro recebeu uma premiação financeira do Sistema Sicoob Crediminas. Os cafés mais bem colocados também tiveram a compra garantida pelo Supermercado Verdemar, com valores acima da média de mercado, para comercialização em uma linha especial.
O concurso de 2026 é organizado pelo Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), e realizado pela Emater-MG, em parceria com a Universidade Federal de Lavras (Ufla) e a Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (Faepe).
A edição conta ainda com apoio do Conselho Nacional do Café (CNC) e patrocínio do Sistema Sicoob Crediminas, Kaleido Brasil Pro e Supermercados Verdemar.




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