25 anos depois da morte de Aline Silveira Soares, o caso que mobilizou Ouro Preto e ganhou repercussão nacional deve voltar ao centro do debate em uma produção documental do Disney+. A estudante de Farmácia tinha 18 anos quando foi encontrada morta na cidade histórica, em outubro de 2001. Desde então, a investigação e as circunstâncias do crime foram alvo de controvérsias, sem que a autoria fosse esclarecida.

Aline havia viajado para Ouro Preto para participar da Festa do Doze, tradicional encontro ligado à comunidade universitária. Ela chegou ao município em 11 de outubro daquele ano, acompanhada da prima, Camila Dolabella Silveira, e de uma amiga. As três ficaram hospedadas na República Sonata.
Três dias depois, o corpo da jovem foi localizado no cemitério da Igreja de Nossa Senhora das Mercês e Misericórdia. Os relatos sobre a investigação registraram 17 perfurações de faca. A posição do corpo levou os investigadores a considerar a possibilidade de um ritual, hipótese que passou a influenciar a condução do caso.
Durante as apurações, materiais relacionados a jogos de RPG encontrados entre os pertences dos investigados alimentaram a suspeita de uma ligação entre o assassinato e o jogo “Vampiro: A Máscara”. A hipótese ganhou espaço na cobertura jornalística, mas foi contestada pelas defesas e não resultou em condenações.
Absolvição após julgamento em 2009
Quatro pessoas foram levadas ao Tribunal do Júri: Camila Dolabella Silveira, prima da vítima, Edson Aguiar, Maicon Fernandes Lopes e Cassiano Garcia, moradores da República Sonata. Os acusados negaram participação no homicídio.
O julgamento começou em 1º de julho de 2009, quase oito anos após o crime. Durante a sessão, o Ministério Público defendeu a hipótese de um assassinato relacionado a um ritual, enquanto os advogados questionaram a consistência das provas e a falta de elementos que definissem a participação individual dos réus.
Na madrugada de 5 de julho, após cinco dias de julgamento, os quatro foram absolvidos. O Ministério Público recorreu, mas o Tribunal de Justiça de Minas Gerais manteve a decisão em junho de 2010. Na avaliação registrada pelo tribunal, não havia provas contundentes para atribuir a autoria do crime aos acusados.
O que se sabe sobre a série
A produção da Disney+ foi anunciada após o aniversário de 25 anos da morte de Aline. Segundo declarações repercutidas pela imprensa, Mônica Albuquerque, responsável pelo Conteúdo Local da empresa, afirmou que a equipe reuniu material de pesquisa e “novos achados” capazes de apresentar outra perspectiva sobre o episódio.
Até agora, esses elementos não foram apresentados publicamente. Assim, não há informações suficientes para afirmar que a série tenha identificado novos responsáveis ou obtido provas que esclareçam o assassinato.
O caso também foi objeto de estudos acadêmicos sobre a atuação da Justiça, a cobertura da imprensa e a exposição pública dos investigados. Em 2012, a antropóloga Ana Letícia de Fiori defendeu uma dissertação na Universidade de São Paulo que analisou as narrativas construídas em torno do episódio e do julgamento.
A família de Aline continuou buscando respostas ao longo dos anos. Em informações divulgadas neste mês, a Polícia Civil afirmou que não comenta inquéritos concluídos, enquanto o Ministério Público apontou que perícias consideradas importantes não foram realizadas durante a fase policial e que alguns exames só ocorreram posteriormente.
A série deverá retomar a história da estudante e os pontos controversos do caso. A data de lançamento e os detalhes da produção não foram informados no material divulgado.







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