O vereador Samuel de Padre Viegas, da Câmara Municipal de Mariana, anunciou nesta segunda-feira (26) a exoneração de seu assessor parlamentar Eric Dias de Souza após a repercussão de uma publicação feita pelo funcionário nas redes sociais. O conteúdo ironizou os temores de perseguição e violência contra pessoas LGBTQIAPN+ em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.

A publicação foi feita nos stories do perfil pessoal de Eric. No texto, ele escreveu: “Para alegria dos meus amigos vermelhinhos, mais um voto no 22 hoje… Já arrumem as malas para fugir para as colinas. Bolsonaro ganhando vão caçar vocês, exterminar os gays, acabar com a democracia, o discurso de ódio… Ó não o discurso de ódio não kkkkkkkkk vcs são MT trouxa kkkkk”.

A manifestação provocou uma nota de repúdio da Associação Mães da (R)existência, que atua na defesa dos direitos da população LGBTQIAPN+. A entidade criticou o tratamento dado a temores de perseguição e extermínio e afirmou que a violência contra essa população não deve ser tratada como motivo de brincadeira.
Na nota, a associação também citou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), como a Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO) 26 e o Mandado de Injunção (MI) 4733, além da Lei nº 7.716/1989. A entidade pediu explicações públicas ao vereador e medidas para apurar o caso.
Em sua nota de esclarecimento, Samuel afirmou que tomou conhecimento da publicação feita pelo assessor em seu perfil pessoal após exercer seu direito de voto. O parlamentar ressaltou que o conteúdo não foi divulgado em canais oficiais do mandato, mas reconheceu que essa distinção não elimina a necessidade de analisar a situação com responsabilidade, diante das preocupações manifestadas pela comunidade LGBTQIAPN+ e pela associação.
“A possibilidade de perseguição, discriminação ou violência contra qualquer pessoa não deve ser banalizada”, declarou o vereador.
Samuel informou que decidiu pela exoneração do assessor e que a medida será formalizada pelos procedimentos administrativos da Câmara Municipal. Ele também destacou que a decisão está relacionada à confiança necessária para o exercício de uma função pública e não representa um julgamento antecipado sobre eventual responsabilidade criminal.
Ao final da nota, o vereador reafirmou seu compromisso com a dignidade, a igualdade e o respeito às pessoas, independentemente da orientação sexual ou identidade de gênero. Também agradeceu à Associação Mães da (R)existência e às demais pessoas que se manifestaram sobre o episódio.








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