A Arquidiocese de Mariana inaugurou, na sexta-feira (9), a Reserva Técnica de Acervos e Laboratórios de Conservação e Restauro, no bairro Rosário, em Mariana. O espaço recebeu investimento de R$ 4,4 milhões, provenientes de recursos destinados pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), e foi criado para ampliar as condições de preservação de bens culturais históricos e religiosos.

A estrutura reúne ambientes para recebimento, análise, documentação, higienização e armazenamento de peças, além de um laboratório especializado em conservação e restauração. A proposta é atender às necessidades do acervo da Arquidiocese e contribuir para a proteção de bens culturais de outras localidades da região.
A cerimônia de inauguração contou com representantes do Ministério Público, da Arquidiocese, do Governo de Minas Gerais, prefeitos da região, especialistas em patrimônio cultural e integrantes da comunidade.
Espaço já abriga peças resgatadas
A reserva técnica já recebe bens culturais resgatados após o rompimento da barragem de Fundão e peças retiradas da comunidade de Socorro, em Barão de Cocais, devido aos riscos relacionados às estruturas de mineração.
Durante a solenidade, três peças sacras foram entregues à equipe responsável pelo espaço para passar por procedimentos de conservação e restauro. A estrutura também participou da recuperação da imagem de Nossa Senhora Mãe Augusta do Socorro, posteriormente devolvida à comunidade de Barão de Cocais.
O promotor de Justiça Marcelo Azevedo Mafra, coordenador das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais, destacou a importância de contar com locais adequados para guardar bens que representam a memória da população. Segundo ele, a iniciativa beneficia não apenas Mariana e a Arquidiocese, mas também a sociedade mineira.
Já o promotor de Justiça Lucas Daniel Duarte de Souza, da Comarca de Barão de Cocais, relacionou a implantação do espaço às medidas compensatórias pelos impactos que atingem a comunidade desde o acionamento do alarme da barragem, em 2019.
Recursos vieram de acordo relacionado à mineração
Os R$ 4,4 milhões destinados à implantação da reserva técnica têm origem em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) relacionado às medidas compensatórias pela situação de emergência da barragem Sul Superior, localizada na Mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais.
O acordo foi firmado pelo MPMG, pelo Ministério Público Federal (MPF), pela Defensoria Pública de Minas Gerais, pela Vale S.A., pelo município de Barão de Cocais e pela Arquidiocese de Mariana.
A destinação dos recursos possibilitou a criação de uma estrutura permanente voltada à guarda, conservação e restauração de bens culturais móveis.
Governo anuncia novos investimentos
Durante a inauguração, o secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas de Oliveira, anunciou a aprovação de projetos que preveem cerca de R$ 40 milhões em investimentos para a preservação do patrimônio cultural religioso da região.
Segundo ele, as iniciativas incluem intervenções em igrejas históricas, melhorias na iluminação cênica e ações relacionadas ao Caminho Religioso da Estrada Real. O secretário também ressaltou a parceria entre o Governo de Minas, o MPMG e a Arquidiocese na valorização do patrimônio material e imaterial.
O arcebispo metropolitano de Mariana, dom Airton José dos Santos, afirmou que a reserva técnica representa um avanço na preservação da memória religiosa e cultural da Arquidiocese. Ele também destacou a possibilidade de o local contribuir para a formação de profissionais especializados em conservação e restauração de arte sacra.
A museóloga Célia Corsino, consultora do projeto, explicou que a estrutura foi planejada para atender aos acervos da Arquidiocese, com áreas específicas para as diferentes etapas de preservação. O espaço também deverá contribuir para a proteção de bens culturais e para a transmissão dos conhecimentos técnicos relacionados à conservação e ao restauro.






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