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CÂMARA DE MARIANA

De Itabirito para a televisão nacional, Adriana Araújo conduz com maestria debate na Band marcado por tensão entre Lula e Flávio

1. Profissional com passagens por Globo e Record integra atualmente a apresentação do Jornal da Band

Foto de Rodolpho Bohrer
comunicacao@maisminas.org
SAMARCO AGOSTO

Natural de Itabirito, na Região dos Inconfidentes, a jornalista Adriana Araújo esteve à frente de um dos principais acontecimentos da campanha presidencial de 2026. Ao lado de Eduardo Oinegue, ela mediou o debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), transmitido pela Band na noite deste domingo (18), em São Paulo.

O encontro marcou o primeiro confronto presencial entre os dois candidatos nesta eleição, a uma semana do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Durante aproximadamente duas horas, os presidenciáveis trocaram acusações, discutiram temas como corrupção, segurança pública e economia e protagonizaram momentos que exigiram intervenções dos apresentadores.

Adriana, formada em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC MINAS), teve participação direta na condução das regras, especialmente diante das manifestações da plateia e da movimentação dos candidatos pelo estúdio. Em um dos momentos mais tensos, durante as considerações finais, a jornalista pediu silêncio aos convidados e advertiu Flávio Bolsonaro para que não circulasse atrás de Lula enquanto o presidente estivesse falando.

A mediação buscou preservar o tempo de fala de cada participante e evitar que as manifestações no estúdio prejudicassem o andamento da transmissão. As intervenções ocorreram em um debate marcado por provocações e questionamentos sobre episódios envolvendo os candidatos e seus familiares.

Após o encerramento, Adriana avaliou o trabalho da equipe da Band com a expressão “missão cumprida”. A jornalista destacou o esforço para garantir a realização do confronto entre os candidatos e o cumprimento das regras estabelecidas previamente com as campanhas.

Debate teve acusações e discussões sobre segurança pública

O debate foi dividido em três blocos, com perguntas formuladas pelos mediadores e momentos de confronto direto entre os candidatos. Na primeira etapa, Lula e Flávio Bolsonaro tiveram um período de discussão livre, com 15 minutos disponíveis para cada um administrar suas intervenções.

Um dos principais embates envolveu acusações de corrupção. Lula questionou Flávio sobre valores associados ao projeto de um filme sobre Jair Bolsonaro e sobre suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao antigo Banco Master. O senador respondeu que os recursos mencionados se destinavam à produção cinematográfica.

Lula e Flávio Bolsonaro durante debate na Band. (Foto: Renato Pizzutto/Band)

Flávio, por sua vez, levantou suspeitas relacionadas a pessoas próximas ao presidente, incluindo referências à lobista Roberta Luchsinger e a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. As declarações foram apresentadas em meio a acusações recíprocas, sem que o debate constituísse comprovação das irregularidades mencionadas.

Na segurança pública, Flávio defendeu medidas de endurecimento penal, incluindo a redução da maioridade penal e a castração química para determinados crimes sexuais. Lula apresentou propostas relacionadas à estrutura federal de segurança e à atuação conjunta com os estados.

Também houve divergências sobre a saúde pública, a relação do Brasil com os Estados Unidos e o fim da escala de trabalho 6×1. O presidente defendeu medidas de proteção aos trabalhadores, enquanto o candidato do PL afirmou ter reconsiderado seu posicionamento sobre a redução da jornada.

As discussões políticas foram acompanhadas por manifestações da plateia, que provocaram interrupções em diferentes momentos. Nas considerações finais, Adriana Araújo voltou a intervir para assegurar que os candidatos concluíssem suas falas.

A íntegra do debate está disponível no canal da Bando no Youtube:

De Itabirito para o jornalismo nacional

Nascida em Itabirito em 18 de abril de 1972, Adriana Fátima de Araújo construiu uma carreira marcada pela cobertura política, pela apresentação de telejornais e pelo trabalho como correspondente internacional.

A jornalista teve passagens por algumas das principais emissoras de televisão do país. Na Globo, trabalhou em reportagens para o Jornal Nacional e o Bom Dia Brasil. Em 2002, passou a atuar em Brasília, onde realizou coberturas políticas para o Jornal Hoje.

Em 2006, foi contratada pela Record e assumiu a apresentação do Jornal da Record ao lado de Celso Freitas. Posteriormente, trabalhou como correspondente em Nova York, participando da cobertura de acontecimentos internacionais, incluindo os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.

Adriana retornou à bancada do Jornal da Record em 2013 e, em 2020, passou a comandar o Repórter Record Investigação, programa voltado a reportagens especiais.

Trajetória na Band e participação no debate

A jornalista chegou à Band em 2022, inicialmente como entrevistadora do programa Canal Livre. Também apresentou o Boa Tarde São Paulo e, em junho de 2023, assumiu a apresentação do Jornal da Band.

A experiência acumulada na cobertura política e na apresentação de telejornais integrou sua atuação na mediação do encontro presidencial deste domingo. Ao lado de Eduardo Oinegue, Adriana foi responsável por apresentar perguntas, controlar os tempos e intervir quando as regras do debate precisaram ser reforçadas.

O confronto teve ampla repercussão. Segundo dados preliminares de audiência divulgados após a transmissão, a Band alcançou média de aproximadamente 13 pontos na Grande São Paulo e chegou a superar a Globo durante parte do programa. O desempenho colocou o debate entre as transmissões de maior audiência recente da emissora.

Para Itabirito, a participação de Adriana Araújo representou mais um momento de projeção nacional de uma profissional nascida no município. Sua presença na condução do primeiro debate entre os candidatos do segundo turno acrescenta um novo episódio à trajetória de mais de duas décadas no jornalismo televisivo.

Sobre o autor Rodolpho Bohrer

Sócio-proprietário e fundador do Mais Minas e jornalista em formação pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Redator de cidades, tecnologia e política, além de link builder na Agência MaisPost. Em 2026, foi um dos repórteres vencedores do prêmio estadual "Tributação e Justiça Social", promovido pelo Sindicatos dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (SINJORBA).

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