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CÂMARA DE MARIANA

Cruzeiro tropeça na reta decisiva, Gerson decepciona e Artur Jorge vira alvo de questionamentos

Derrota por 4 a 2 para o Bragantino expõe fragilidades defensivas, escolhas contestáveis do treinador e a dificuldade da Raposa de se firmar entre os quatro primeiros do Brasileirão

Foto de Carlos Daniel
Carlos.daniel_9@hotmail.com
SAMARCO AGOSTO

O Cruzeiro desperdiçou mais uma oportunidade de entrar no G-4 do Campeonato Brasileiro. A derrota por 4 a 2 para o Red Bull Bragantino, na segunda-feira (12), em Bragança Paulista, deixou a equipe na sexta colocação, com 48 pontos após 30 rodadas. Mais do que o resultado, a atuação voltou a levantar dúvidas sobre o rendimento de jogadores importantes e as decisões do técnico Artur Jorge em um momento decisivo da temporada.

O principal problema apareceu logo no primeiro tempo. O Cruzeiro sofreu três gols em aproximadamente 30 minutos e mostrou dificuldades para proteger a própria área, corrigir falhas de marcação e reagir à pressão adversária. A equipe conseguiu descontar com Zé Lucas e Matheus Henrique, mas não evitou a derrota e voltou para Belo Horizonte sem aproveitar a chance de se aproximar do grupo que garante vaga direta na fase de grupos da Libertadores.

Contratado como um dos principais reforços da temporada, Gerson voltou a ter uma atuação abaixo das expectativas. Contra o Bragantino, o meio-campista teve pouca intensidade e participou de uma partida na qual o Cruzeiro encontrou dificuldades para controlar o jogo e proteger a defesa.

Na avaliação individual publicada pelo ge, o jogador recebeu nota 3 e foi apontado como um dos destaques negativos da equipe. A análise ressaltou a lentidão em algumas ações e um erro na construção de uma jogada que terminou em gol adversário. Embora tenha apresentado uma ligeira melhora no segundo tempo, o desempenho não foi suficiente para mudar o panorama da partida.

A cobrança sobre Gerson está relacionada ao peso de sua contratação e à expectativa de que ele seja uma peça decisiva no meio-campo. Em uma equipe que busca vaga direta na Libertadores, a contribuição de jogadores desse nível precisa aparecer com maior regularidade, especialmente em confrontos nos quais o time depende de controle e organização para competir.

As decisões de Artur Jorge entram em debate

O treinador também precisa responder pelos problemas apresentados pela equipe. Antes da partida, Artur Jorge optou por manter João Marcelo na vaga de Fabrício Bruno, escalar Felipe Morais no lugar de Wesley e preservar William na lateral direita. Fagner, por sua vez, não foi relacionado.

As escolhas não explicam isoladamente a derrota, mas ganharam relevância diante da fragilidade defensiva demonstrada pelo Cruzeiro. A equipe sofreu três gols ainda no primeiro tempo e continuou permitindo espaços mesmo depois das alterações realizadas na etapa final. A tentativa de reorganizar o setor defensivo não impediu que o Bragantino voltasse a encontrar caminhos para atacar.

O problema não se resume à escalação inicial. A equipe tem demonstrado dificuldade para manter o mesmo nível de atuação durante os jogos, alternando momentos de iniciativa ofensiva com períodos de desorganização. A falta de consistência aumenta a pressão sobre o treinador, responsável por encontrar soluções para problemas que voltaram a aparecer em uma partida decisiva para a classificação.

G-4 continua fora do alcance imediato

Com 48 pontos e na sexta posição, o Cruzeiro permanece fora do grupo dos quatro primeiros. A derrota em Bragança Paulista impediu que a equipe aproveitasse a rodada para avançar na disputa pelas vagas diretas na Libertadores.

O cenário exige uma resposta rápida. Além de recuperar o rendimento de jogadores importantes, Artur Jorge precisa melhorar a organização defensiva e encontrar uma formação capaz de oferecer mais segurança sem comprometer a produção ofensiva. O elenco ainda tem condições de disputar posições na parte de cima da tabela, mas resultados como o obtido diante do Bragantino tornam o caminho mais difícil.

A cobrança da torcida também ganhou força após a partida. Na madrugada desta terça-feira (13), integrantes de uma organizada foram ao Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, para protestar contra jogadores, comissão técnica e dirigentes durante o desembarque da delegação.

A derrota não representa apenas a perda de três pontos. Ela reforça dúvidas sobre a capacidade do Cruzeiro de manter regularidade na reta final do campeonato. Para seguir na disputa por uma vaga direta na Libertadores, o time precisará transformar as críticas em mudanças concretas dentro de campo.

Sobre o autor Carlos Daniel

Natural de Mariana (MG), jornalista formado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e apaixonado por futebol. Atua com reportagem, produção audiovisual e criação de conteúdo.

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